Weg aposta em novas frentes antes da volta da demanda por equipamentos para geração renovável
Com os resultados do quarto trimestre de 2025 afetados pela queda de demanda de equipamentos para geração renovável, a Weg aposta que esse mercado voltará a se aquecer e, enquanto isso, trabalha em outras frentes, afirmou o vice-presidente administrativo-financeiro da companhia, André Rodrigues.
“O Brasil tem um potencial enorme em renováveis, a gente sabe que isso vai voltar. Mas, nesse meio tempo, a gente busca outras oportunidades”, disse em entrevista ao Estadão/Broadcast.
A empresa viu a demanda de dispositivos para geração solar, sobretudo, centralizada e eólica cair no País, principalmente, no segundo semestre do ano passado, afetando também seu resultado anual que, para o executivo, ficou “um pouco abaixo da nossa média histórica, mas ainda assim positivo dadas as incertezas e volatilidade apresentadas no ano”.
Com a sobreoferta desse tipo de energia e o aumento dos cortes de geração renovável por razões sistêmicas, o curtailment, a tendência é de que, ao menos no curto prazo, essa situação se mantenha. Mas, para a Weg, não se trata de um cenário desconhecido, diz.
“Quando o negócio de energia eólica sofreu bastante com escassez de projetos, por volta de 2016, o mercado pensou ‘agora a Weg não vai crescer’, e a gente entrou com o solar. Quando solar começou a arrefecer, entramos com mobilidade elétrica”, lembrou.
Exemplo deste movimento foi o anúncio da construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) em Itajaí (SC). A conclusão da planta está prevista para a segunda metade de 2027.
“O BESS está virando realidade. Quanto mais a tecnologia avança e o preço das baterias vai caindo. Isso é um caminho sem volta. Então, a perspectiva é positiva para a Weg, sim, tanto que estamos fazendo um investimento, porque a gente acredita nisso. Queremos nos posicionar como fabricante nacional dessa solução”, completou.
Questionado sobre o leilão de baterias, previsto pelo governo inicialmente para abril, e agora para junho, o executivo admite que “podem ocorrer esses atrasos”, mas avalia que são “parte do processo”. Para ele, o certame deve ocorrer este ano, o que é muito positivo para a Weg dada a expansão do mercado para o qual a companhia tem se preparado.
Data centers em alta
Outra oportunidade são os data centers, cita, cujo Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData) foi aprovado pela Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira, 25, e avançou para o Senado, o que Rodrigues classificou como “extremamente positivo” dado o portfólio da companhia nesta frente. “A Weg tem várias soluções para data centers: transformador, gerador, BESS, motor, automação, refrigeração”, disse.
Outro fator que afetou o resultado da companhia de outubro a novembro foi a valorização do real na comparação com igual etapa de 2024. O dólar norte-americano médio passou de R$ 5,84 no último trimestre de 2024 para R$ 5,39 em igual etapa de 2025, uma desvalorização de 7,7% em relação ao real.
O executivo afirmou que a companhia “não precisa de câmbio para ser competitiva”, mas que a volatilidade a afeta ao bagunçar a cadeia de custos. Ainda assim, reiterou que a companhia entregou resultados muito positivos, diz, ao citar as margens obtidas, elogiadas pelo mercado. “A correlação entre câmbio e margem operacional é muito fraca. O que a gente sempre fala é o seguinte: é que a volatilidade é o chato nessa história”, afirmou.
O efeito das tarifas
Sobre as tarifas, derrubadas pela Suprema Corte dos EUA e recriadas em menor dimensão posteriormente pelo presidente Donald Trump, Rodrigues afirma que “agora, pelo menos está igual para todo mundo”, o que beneficia não só a companhia, mas o País como um todo em termos competitivos.
De todo modo, ele reitera a visão de longo prazo da companhia também sobre este tema. “A gente segue com os nossos investimentos no Brasil e no exterior, reforçando a nossa presença global para ser capaz de enfrentar qualquer circunstância”, diz. Ao todo, a companhia aportou R$ 2,7 bilhões em 2025, e em 2026 planeja investir R$ 3,6 bilhões.
Ainda sobre as tarifas, Rodrigues cita como positiva a perspectiva de encontro entre Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, previsto para março. “Em momentos como esse é que se aparam as arestas nessas discussões. Acho que agora a gente tende a caminhar para uma situação mais de normalidade”, completa.
No todo, ele reitera que a expectativa para o ano é positiva para a maioria dos negócios da companhia dada a manutenção da demanda em transmissão e distribuição dentro e fora do País, de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) no mercado externo, entre outras frentes.
