Volume comercial de importação de painéis solares cai 39% entre 2024 e 2025
O volume comercial de importação de painéis solares no primeiro semestre de 2025 apresentou uma queda de US$ 566 milhões em comparação ao mesmo período de 2024. O montante comercializado caiu de US$ 1,463 bilhão para US$ 897 milhões – redução de 39%, segundo o mais recente indicador divulgado pela ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).
Embora não disponha de estatísticas quanto às quantidades de equipamentos que ingressaram no país em ambos os períodos, a entidade atribui essa significativa variação negativa de valores, principalmente a uma substancial queda de preços verificada no mercado global.
A ABINEE estima que, de 2023 até o momento, os preços dos módulos fotovoltaicos caíram em torno de 60%. Isso, mesmo com os aumentos no imposto de importação determinados pelo Governo Federal ao longo de 2024, que de 9,5% passou a 25%.
“Dessa forma, o aumento do imposto não prejudicou o consumidor, que não percebeu a elevação de preço devido à contínua desvalorização dos módulos importados e nacionais”, afirma Roberto Barbieri, assessor da área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica da ABINEE.
Embora admita que o segmento de geração centralizada – representado por grandes usinas fotovoltaicas – está enfrentando dificuldades, o executivo destaca, em contrapartida, que o mercado de geração distribuída – instalações em telhados de residências, indústrias e comércios – continua bastante estimulado.
Retração prevista
Na avaliação da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), a explicação para a queda de 39% na importação de painéis solares, entre o primeiro semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, é mais complexa. Esse efeito é atribuído a uma combinação de fatores macroeconômicos, microeconômicos e setoriais.
Rodrigo Sauaia, presidente executivo da associação, informa que a entidade já havia antecipado em sua projeção de mercado para 2025 um decréscimo no volume de potência solar a ser adicionado. A redução deve chegar a 1,6 GW, passando dos 15 GW alcançados em 2024, para 13,4 GW neste ano.
No caso da geração centralizada, problemas como a alegação de inversão de fluxo para a conexão de novos projetos, cortes de geração (curtailment), elevação da taxa de juros, aumento da carga tributária e redução de incentivos chineses para a exportação de equipamentos, entre outros aspectos, vem aumentando a percepção de risco na avaliação tanto de empreendedores como de investidores.
“Isso leva à revisão, congelamento ou até mesmo cancelamento de projetos planejados, tornando o investimento em novos empreendimentos mais difícil enquanto não houver solução para a compensação financeira dos cortes”, aponta Sauaia, especificamente em relação à questão do curtailment.
Apesar dos desafios atuais, a perspectiva para o setor de energia solar no Brasil é de otimismo a médio e longo prazo, com a fonte fotovoltaica caminhando para se tornar a número 1 da matriz elétrica brasileira, garante o presidente da ABSOLAR. A velocidade dessa evolução, no entanto, dependerá das políticas públicas e do ambiente regulatório, condiciona.