Vivo vê oportunidades para seguir expandindo cobertura de fibra
Com uma meta de alcançar 29 milhões de domicílios cobertos pelo seu serviço de banda larga via fibra óptica em 2024, a Telefônica Brasil continuará a ampliar a rede mesmo se alcançar o objetivo. A expansão pode se dar tanto de forma orgânica, como por meio de empresas de rede neutra ou da futura aquisição de um provedor de acesso à internet. A operadora, dona da Vivo, terminou setembro com 28,3 milhões de domicílios cobertos, conhecidos no jargão de telecomunicações como “casas passadas”, aquelas nas quais o serviço de banda larga está disponível para ser contratado.
“Não acho que estejamos chegando ao limite. Se você olhar o Brasil quanto a domicílios [das classes] A, B e C que são suscetíveis a ter uma fibra, estamos falando de praticamente 60 milhões de domicílios. Então talvez eu termine este ano com metade dos domicílios [potenciais]”, disse ao
Valor o diretor-presidente da companhia, Christian Gebara. “O crescimento da nossa rede de fibra com certeza vai ocorrer. O que nós estamos avaliando agora são os modelos e que peso que cada um desses modelos […] vai ter na estratégia de futuro”.
No fim da tarde de ontem, a Telefônica Brasil divulgou os resultados referentes ao terceiro trimestre, período em que registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, incremento de 13,3% na comparação com o intervalo de julho a setembro de 2023.
A receita da operadora no terceiro trimestre somou R$ 14 bilhões, avanço de 7,1% ante o terceiro trimestre do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 5,9 bilhões no período, o que significa crescimento de 7,4% na comparação anual.
A margem Ebitda da operadora teve pequena alta, atingindo o patamar de 42,4%, ante 42,2% no terceiro trimestre do ano passado. Já a receita proveniente de serviços móveis aumentou 8,8% na mesma base de comparação, para R$ 9,2 bilhões. Em linhas gerais, lucro, receita e Ebitda subiram acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No período de 12 meses terminado em setembro, a inflação acumulada foi de 4,42%.
Gebara atribuiu o resultado ao bom desempenho dos negócios corporativos (B2B), somado ao dos serviços tradicionais (fixos e móveis) e também dos novos serviços digitais, aqueles que não dependem de investimento em rede para crescer. “A receita do segmento B2B, se eu comparo os últimos 12 meses com final no terceiro trimestre de 2024 com os 12 meses com final no terceiro trimestre de 2023, […] cresceu 7,5%”, detalhou o executivo. Os serviços de telecomunicações tradicionais voltados ao consumidor final (B2C) – incluindo os de telefonia fixa, que apresentam resultado negativo – cresceram 6,8%, em termos de receita, na mesma base de comparação (12 meses até setembro)
“Os novos serviços [segmento que inclui serviços financeiros e de entretenimento, entre muitos outros], por mais que representem uma parcela pequena [do faturamento], cresceram 30%”, destacou.
Dona da marca Vivo, a Telefônica fechou o terceiro trimestre com 6,7 milhões de casas conectadas, ou seja, que possuem o serviço de FTTH (fibra óptica até a casa do cliente) da operadora. Um ano atrás, em setembro de 2023, esse número era de aproximadamente seis milhões de domicílios.
Não acho que estejamos chegando ao limite [na expansão da fibra]” — Christian Gebara
“Se conseguirmos aprovar a migração da concessão [de telefonia fixa] para uma autorização, em algumas cidades do Estado de São Paulo que ainda têm [rede de] cobre, deveríamos, sim, fazer a construção para fibra. Segundo, em algumas cidades onde já temos presença deveríamos expandir [o serviço] para algumas ruas, alguns bairros. É algo que estamos analisando”, detalhou Gebara, referindo-se às possibilidades em estudo.
“A terceira é: deveríamos usar mais capacidade de rede de fibra neutra e não construir tanto, mas utilizar capacidade já instalada de várias empresas de fibra neutra do mercado. E a última é: pode existir algum interesse, de alguma operação de aquisição”, acrescentou.
Ontem pela manhã, em Brasília, Gebara participou do evento Painel Telebrasil, durante o qual destacou os “muitos desafios” a enfrentar em termos de aperfeiçoamento da regulação e carga tributária que recai sobre o setor. Ao falar do processo de inclusão digital no país, o executivo disse que parte da população brasileira, só por usar as redes sociais, não pode ser considerada “nativa digital”.
“Vivemos um paradoxo digital. O uso intenso de redes sociais no país nos passa uma falsa ideia de cidadãos nativos digitais. A realidade, no entanto, é que grande parte dos brasileiros ainda não têm essas competências”, afirmou.
O executivo destacou o “letramento digital” como um dos três fatores fundamentais para obter o avanço da digitalização. Os outros aspectos são a ampla cobertura de serviço de telecomunicações e o acesso a dispositivos eletrônicos.
