Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Vivo amplia fundo de inovação para R$ 470 milhões e aposta em startups

Durante o South Summit, realizado em Porto Alegre, o CEO da Vivo, Christian Gebara, participou do painel “A era da hiperconectividade: oportunidades que moldam o mundo” para discutir os desafios e oportunidades da conectividade em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, da digitalização e de novas demandas por infraestrutura. O executivo destacou que a expansão tecnológica exige não apenas cobertura, mas também acessibilidade e capacitação digital da população.

Ao analisar o cenário atual, Gebara afirmou que o Brasil já possui uma base relevante de conectividade, mas enfrenta desafios importantes. “Se a gente pensar no 4G, o 4G chega a quase cem por cento da população”, disse. No entanto, segundo ele, o acesso ainda é limitado por fatores como custo e letramento digital. “O maior problema que a gente tem na acessibilidade da conexão é muitas vezes o preço muito mais do smartphone, que é muito tributado no Brasil”, afirmou.

O executivo também destacou o avanço do 5G no país, mas ressaltou a desigualdade no acesso aos dispositivos. “Hoje a gente cobre setenta por cento da população com 5G. Só que só tem vinte e cinco por cento da nossa base que tem um aparelho 5G”, explicou, apontando que o preço dos aparelhos ainda é um entrave relevante. Além disso, mencionou a carga tributária sobre os serviços de telecomunicações. “O Brasil tem um tributo de quase trinta por cento sobre o serviço de mobilidade ou de fibra e a média dos países desenvolvidos é de doze por cento”.

Outro ponto crítico levantado por Gebara foi o letramento digital. “Cinquenta por cento da população não sabe enviar um e-mail com um anexo junto”, afirmou, destacando que a inclusão digital depende não apenas de infraestrutura, mas também de capacitação. Segundo ele, a Vivo continuará investindo na expansão da rede. “Só ano passado foi nove ponto dois bilhões de reais pra levar, sim, essa conexão”, disse.

Ao abordar o impacto da inteligência artificial, o executivo destacou que a tecnologia eleva o nível de exigência da infraestrutura. “O nosso 5G Standalone é o melhor do 5G, ele traz uma latência quase inexistente”, afirmou, ressaltando que o Brasil já possui capacidade para suportar novas aplicações. Segundo ele, a companhia tem desenvolvido projetos que integram conectividade e IA em diferentes setores.

Entre os exemplos citados, Gebara destacou iniciativas em saneamento e agronegócio. “Recentemente o projeto que foi considerado o maior projeto de IoT do mundo”, disse, ao mencionar a parceria com a Sabesp para instalação de dispositivos em larga escala. Ele também citou aplicações no campo, com uso de dados em tempo real para monitoramento climático e automação de maquinário.

O executivo reforçou que a conectividade já está disponível, mas a geração de valor depende da inovação. “A conexão, a base, como você falou, nós temos. Agora a gente precisa mesmo da inovação pra fazer isso ainda mais rentável e poder ser monetizado”, afirmou, destacando que a IA pode ampliar inclusão e produtividade.

No campo de inovação, Gebara destacou o papel do Vivo Ventures como estratégia de aproximação com startups. “A gente tem os maiores corporate venture capitals do Brasil”, disse, explicando que o fundo passou de 320 milhões para 470 milhões. Segundo ele, os investimentos vão além do aporte financeiro. “É mais do que só um investimento financeiro, é a possibilidade de dar pra esses empreendedores uma empresa com sessenta milhões de clientes”.

A aplicação de inteligência artificial dentro da própria operação também foi destacada. “A gente vem usando IA como copilot dos nossos próprios atendentes”, afirmou, citando ganhos de eficiência. Segundo ele, a empresa conseguiu “reduzir dez por cento o tempo das nossas ligações com os nossos clientes” a partir do uso da tecnologia.

Gebara também apontou que a Vivo passa por uma transformação estrutural, ampliando sua atuação para além da conectividade. “A gente transformou a empresa numa empresa de internet e agora também tá transformando a empresa numa empresa de tecnologia”, disse. Segundo ele, serviços digitais já representam uma parcela relevante do negócio, incluindo soluções em saúde, educação e entretenimento.

Ao olhar para o futuro, o executivo destacou que a próxima fase do setor passa pela construção de um ecossistema digital. “Eu vejo aí um panorama nos próximos anos onde os serviços digitais, é o próximo caminho que eu enxergo”, afirmou, mencionando a integração de diferentes soluções ao redor da base de clientes.

O debate também abordou sustentabilidade e responsabilidade social. Gebara afirmou que a Vivo tem avançado em iniciativas ambientais e metas de descarbonização. “Reduzir emissões desde o acordo de Paris em mais de noventa por cento”, disse, destacando também programas como o Vivo Recicla e investimentos em energia renovável.

Além disso, o executivo chamou atenção para os impactos sociais da hiperconectividade. “A gente acredita que a gente tem a responsabilidade também de alertar da saúde mental das pessoas”, afirmou, ao comentar campanhas da empresa voltadas ao uso consciente da tecnologia.

Encerrando sua participação, Gebara deixou recomendações para empreendedores e líderes presentes no evento. “Buscar um trabalho que tenha um propósito, que encaixe com teu próprio propósito pessoal”, disse. Ele também destacou a importância de disciplina, comunicação e adaptabilidade. “A gente tem que aprender a desaprender muitas coisas que a gente faz pra conseguir se adaptar ao novo que tá chegando”, concluiu.

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