Viasat demonstrará chamadas de voz via satélite em rede pensada para IoT
A operadora de satélites Viasat vai demonstrar, durante o Mobile World Congress, que acontece na próxima semana em Barcelona, a tecnologia que permite a chamada de voz bidirecional via satélite. A principal aplicação, neste momento, é pensada para serviços de voz embarcados em veículos, como chamada de emergência e concierge. Kevin Cohen, VP de desenvolvimento de negócios D2D da Viasat, destaca que a tecnologia visa “salvar as vidas e garantir cobertura de apoio onde a rede terrestre não está disponível” .
A demonstração envolverá uma ligação de voz que pode funcionar como uma chamada de emergência. Em caso de acidente ou avaria fora da cobertura celular, o sistema permite “receber uma ligação ou acionar uma chamada para pedir socorro”, diz ele. Além disso, a aplicação envia a localização e também manda, dependendo do carro, a quantidade de passageiros, facilitando o envio de ajuda. A funcionalidade não se restringe a emergências, podendo ser utilizada para serviços de concierge, permitindo ligar para um centro de atendimento, por exemplo.
Novos Codecs
A tecnologia opera na banda L a partir dos satélites geoestacionários que a Viasat já têm em órbita. A grande inovação está na utilização de dois novos codecs de voz altamente eficientes. Segundo Cohen, o codec da Qualcomm permite chamadas de voz a 1,2 kbps, enquanto o da Fraunhofer opera a impressionantes 800 bits por segundo. Em comparação, diz, “o codec de WhatsApp é de 4 a 6 kilobits por segundo” , evidenciando a economia e eficiência no uso da conexão via satélite, originalmente pensada em envio de mensagens de texto e pequenos pacotes de dados. Mesmo com a latência do satélite, “da qual se pode esquivar, a qualidade é muito boa”, diz ele.
A ideia é incentivar fabricantes de automóveis a incluir o chip, baseado no Release 17 do 3GPP, em novos veículos. Mas também pode ser feito um “retrofit” em tecnologias legadas co a instalação de um módulo. A tecnologia pode ser integrada em equipamentos de rastreamento de caminhões, permitindo “fazer ligações de voz em estradas onde a rede móvel não está disponível” . A Viasat aposta na redução de custos, com equipamentos que podem custar cerca de 50 dólares, em contraste com os mais de mil dólares de soluções atuais, abrindo um “mercado muito maior, porque o custo de entrada é menor” .
Mercado brasileiro
No Brasil, a Viasat tem vendido a solução de conexão direct-to-device para o mercado de Internet das Coisas, especialmente para o agronegócio e rastreamento. A empresa busca parcerias para oferecer o serviço de NB-IoT, que pode atender à agricultura e rastreamento. Kevin Cohen reconhece que o “grande desafio no Brasil é o tamanho do país e os buracos que tem de cobertura”. As parcerias no Brasil estão avançando, diz ele, ainda em ritmo um pouco mais lento, dadas as compexidades tributárias e operacionais do Brasil.
Apesar da demanda latente, a Viasat ainda não anunciou parcerias no Brasil. “Os acordos no Brasil são um pouco mais complicados do que acordos em outros países por conta de temas tributários e regulatórios, mas a demanda está ai. Existe interesse e este ano já haverá projetos comerciais” .
Para dados de maior volume, a Viasat já planeja o futuro com 5G e a constelação Leo, através da empresa Equatys. A visão é que, em 5 ou 6 anos, será possível ter “uma ligação no WhatsApp sem perder a conexão”, saindo da rede de dados do 5G terrestre para a rede via satélite, com a capacidade de “fazer o hand-off da conexão da rede de satélites e depois para a rede terrestre” .
