Vero registra lucro em 2025 com avanço do móvel e foco em convergência
A Vero encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 38,9 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 23,3 milhões apurado em 2024, em um ano marcado por avanço da operação móvel, captura de sinergias da fusão e melhora dos indicadores operacionais e financeiros. A receita líquida da companhia somou R$ 1,73 bilhão, alta de 4,1%, enquanto o EBITDA ajustado chegou a R$ 925,6 milhões, com margem de 53,5%.
Em entrevista ao Tele.Síntese, Fabiano Ferreira, CEO da Vero, afirmou que o desempenho pode ser resumido em “convergência e consistência”. Na avaliação do executivo, o resultado reflete a mudança da empresa de uma operação concentrada em banda larga para um modelo mais apoiado em múltiplos serviços, com maior monetização da base.
Fabiano afirmou que a melhora do lucro também está ligada à integração pós-fusão com a Americanet. De acordo com ele, a companhia já acumula mais de R$ 300 milhões em captura de eficiência em dois anos, patamar 9% acima do inicialmente previsto para o período. A expectativa informada pela empresa é alcançar R$ 1,2 bilhão em geração de caixa operacional até 2030 como efeito da fusão.
Móvel ganha peso na estratégia
Um dos principais vetores de crescimento em 2025 foi a operação móvel. A base de clientes desse segmento saiu de 195,5 mil para 302,2 mil linhas, alta de 54%. A penetração do serviço móvel sobre a base fixa atingiu 12%, ante 5,8% um ano antes.
Fabiano disse que a companhia tem priorizado a venda de serviços combinados. “A companhia foca em aquisição de cliente convergente, ou seja, o cliente que traz não só a banda larga, mas traz também os serviços digitais e traz o serviço da móvel”, afirmou. Ele acrescentou que, no último trimestre, “50% das novas vendas já vem com o serviço da Móvel”.
Além do celular, a Vero ampliou a presença dos serviços digitais premium na base. O take-up desses produtos passou de 22% para 37%, de acordo com o executivo. “Hoje a nossa oferta vai inclusa com dois serviços de streaming, não mais um”, disse Fabiano, ao explicar a estratégia de elevar o ARPU e aumentar a retenção de clientes. A receita média por usuário fechou o ano em R$ 115, com crescimento de 5%.
Menos foco em volume e mais foco em valor
Na banda larga, a base recuou 2% em 2025. Ainda assim, a companhia informou crescimento de 4,8% nas unidades geradoras de receita, indicador que reúne fibra e móvel. Para Fabiano, esse movimento está ligado à opção de não competir por preço em um mercado mais pressionado.
“A gente não está indo a mercado procurar cliente que não gere valor para a companhia. A gente não está disputando mercado por preço, nunca disputamos”, avisou.
A empresa também informou que o índice de provisão para devedores duvidosos permaneceu praticamente estável, em torno de 4,2% da receita líquida, o que, na leitura da administração, indica que a perda de base fixa não decorre de uma limpeza extraordinária de carteira, mas da competição mais intensa no mercado.
CAPEX menor e desalavancagem
O CAPEX imobilizado da Vero ficou em R$ 400 milhões em 2025, ante R$ 425 milhões em 2024. Em relação à receita, o investimento caiu de 26% para 23%. Fabiano atribuiu isso ao crescimento do móvel, operação que exige pouco investimento adicional por funcionar em modelo MVNO. “Eu tenho um business móvel que é asset light”, ressaltou.
No endividamento, a companhia reduziu a alavancagem de 3,20 vezes para 3,11 vezes dívida líquida sobre EBITDA ajustado. O CEO disse que a trajetória deve continuar neste ano.
Fabiano também destacou o trabalho de reestruturação do passivo financeiro, com troca de dívidas mais caras por passivos em condições melhores. Ele afirmou que a Vero hoje opera com dívida “atrelada ao CDI careca”, sem spread adicional, condição que, na visão da empresa, reduz a pressão financeira mesmo em ambiente de juros elevados.
Para 2026, a Vero não divulgou guidance formal. A sinalização da administração é de continuidade da estratégia de convergência, expansão da operação móvel e preservação da disciplina financeira, em um mercado que, na avaliação da companhia, seguirá competitivo.
