V.tal tem prejuízo de R$ 380 milhões com impacto da integração da Nio
A V.tal registrou prejuízo líquido de R$ 380 milhões no segundo trimestre, de acordo com balanço financeiro divulgado na noite desta quinta-feira, 14. No mesmo período do ano passado, a empresa tinha auferido lucro de R$ 378 milhões.
A receita líquida da operadora de rede neutra somou R$ 1,82 bilhão, baixa de 6% na comparação com o segundo trimestre do ano anterior. Os custos, por outro lado, tiveram expansão de 136%, alcançando R$ 1,44 bilhão.
O balanço também mostra que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) registrou tombo de 71% na comparação anual, somando R$ 381 milhões. A margem, por sua vez, ficou em 21%, ante 69% no segundo trimestre de 2024 – ou seja, uma queda de 48 pontos percentuais (p.p.).
Motivos
Segundo a operadora de rede neutra, os indicadores foram impactados por uma redução de receita não caixa no âmbito de um acordo de take-or-pay de cessão de fibra apagada (LTLA), no valor de aproximadamente R$ 400 milhões.
Além disso, custos não recorrentes da integração da Nio, marca responsável pela operação de banda larga após aquisição da carteira de clientes da Oi Fibra, geraram um impacto de cerca de R$ 200 milhões.
A empresa também citou, como motivo para queda dos números no segundo trimestre em termos comparativos, ganhos não recorrentes e o desempenho da operação de cobre no ano passado.
Investimentos
O balanço ainda mostra que o capex cresceu 5% no segundo trimestre deste ano, ante o mesmo período de 2024, alcançando R$ 380 milhões. “A variação é explicada majoritariamente pelos investimentos no data center Mega Lobster em Fortaleza, em projetos estruturais e na aquisição de equipamentos (ONTs) necessárias à operação da Nio”, diz a V.tal, em trecho do informe financeiro.
A empresa de rede neutra fechou o segundo trimestre com 22,4 milhões de casas passadas (domicílios que podem contratar o serviço de banda larga de fibra óptica) e 4,1 milhões de casas conectadas. Desse total de acessos, 380 mil são de clientes não âncora (ou seja, assinantes que não são da Nio).
Alavancagem baixa
A V.tal reportou que, ao fim do segundo trimestre, a dívida bruta totalizou R$ 2,4 bilhões, sobretudo em função da captação de debêntures incentivadas em maio.
A alavancagem (dívida líquida/Ebitda LTM) consolidada ficaria em 0,42 vezes, “indicador que permanece consideravelmente abaixo do índice de 3,75x previsto nos documentos da emissão”, declarou a empresa.
A operadora de rede neutra ainda destacou que o “perfil da dívida segue concentrado a partir de 2031, com prazo médio superior a 6,5 anos e ampla cobertura de liquidez”.
