Transição energética abre cenário de oportunidades para Brasil e EUA
Brasil e Estados Unidos podem liderar a corrida global pela transição energética em um cenário de criação de empregos e investimentos em áreas como biocombustíveis e geração solar e eólica, nas quais os dois países estão bem posicionados. Na visão de especialistas, Brasil e EUA podem cooperar e explorar de forma complementar as oportunidades. Um maior impulso aos projetos de energia “verde”, porém, ainda enfrenta desafios regulatórios, financeiros e de mercado. A discussão permeou o Climate Impact Summit 2024 Brazil-US, evento promovido ontem pelo Valor e pela Amcham na sede das Nações Unidas, em Nova York.
O pano de fundo dessa discussão, também destacado no debate, é a emergência climática, que tem produzido catástrofes como as atuais queimadas no Brasil e as cheias no Rio Grande do Sul, entre abril e maio. “Estamos em situação que não podemos nos dar o luxo de ficar pensando o que vamos fazer daqui a dez anos”, afirmou André Aranha Corrêa do Lago, secretário de clima, energia e meio ambiente do Ministério das Relações Exteriores.
Segundo especialistas, apesar dos avanços na transição, a demanda por combustíveis fósseis ainda continua alta, como disse Thomas Rowlands-Rees, chefe de pesquisa da BloombergNEF da América do Norte, no painel ‘Por que a transição energética é tão crítica?’ Também presente no debate, Maurício Tolmasquim, diretor-executivo de estratégia e planejamento da Petrobras, traçou um cenário para os hidrocarbonetos a médio e longo prazos. Para ele, não seria possível cortar a produção de petróleo a curto prazo como forma de reduzir as emissões. “Se o Brasil parar de produzir petróleo, é possível que as emissões aumentem, porque outro produtor continuará produzindo, mas com emissão maior.”
Outros participantes também ressaltaram as oportunidades na transição. David L. Goldwyn, presidente da Goldwyn Global Strategies, disse ser importante o Brasil se apresentar como peça-chave no processo, uma vez que possui abundância de recursos naturais necessários em comparação às demais economias do mundo. A oferta de energia limpa no Brasil também é estratégica para atrair para o país projetos que buscam reduzir a pegada de carbono, tendência conhecida como powershoring. A demanda por energia de aplicações de inteligência artificial reforça esse potencial.
A secretária-adjunta de recursos energéticos dos Estados Unidos, Laura Lochman, destacou uma série de acordos e parcerias em curso.
