Quinta-feira, 9 de Abril de 2026

Tradener anuncia investimento de R$ 500 milhões em novo parque eólico no Rio Grande do Sul

 A Tradener, empresa que atua nos segmentos de comercialização e geração de energia elétrica no Brasil, anunciou que vai investir cerca de R$ 500 milhões em um novo parque eólico no litoral do Rio Grande do Sul, entre as regiões de Osório e Santo Antônio da Patrulha.

 Com capacidade de 80 megawatts (MW) de potência, o parque se chama Chicolomã e já está pronto para o início das obras, mas restam ainda algumas pendências, como definição da empresa fabricante que fornecerá as turbinas eólicas. Ao Valor, o CEO da empresa, Guilherme Avila, reconhece que pontos como câmbio, custo de implantação, taxas de juros no Brasil e um contexto de sobra de energia podem atrapalhar o projeto, que tem expectativa de entrar em operação em cinco anos. 

 “Esse projeto do parque já está no pipeline há bastante tempo. Ele possui todas as licenças necessárias, conta com uma infraestrutura adequada ao redor, boa conexão e sem problemas de escoamento de energia ou curtailment [cortes de energia por falta de demanda], como ocorre em algumas áreas do Nordeste. O desafio agora é fechar a equação do retorno sobre o capital. As taxas de juros mais elevadas têm pressionado o custo do financiamento, e a alta do câmbio também impacta os fornecedores de máquinas importadas, já que muitos deles deixaram de operar no Brasil”, afirma. 

 O executivo explica que o projeto poderá ter parte da sua energia destinada ao segmento de autoprodução, que é quando uma empresa consumidora passa a deter participação acionária na usina e recebe outorga para produzir energia elétrica destinada a seu uso exclusivo. Já outra parte deve ser escoada no mercado livre de energia, segmento em que o consumidor pode escolher o seu fornecedor e estabelecer contratos por fonte, prazo ou preço. 

 No setor elétrico, os chamados “contratos-âncora” são acordos firmados entre geradores de energia e consumidores ou distribuidores que garantem a viabilidade econômica de projetos de geração, transmissão ou distribuição. Esses contratos têm algumas características fundamentais, como duração prolongada, garantem uma receita fixa ou acordada previamente, reduzem os riscos financeiros e facilitam o acesso a financiamentos para a construção. Segundo Avila, a Tradener já possui clientes e contratos-âncora para começar a construção do projeto. 

 “A gente tem mais de 1.000 megawatts-médios (MWm) de clientes consumidores, que podem servir de âncora, mas a nossa ideia é comprar essa energia pela comercializadora para que o consumidor possa alocar essa energia de forma dispersa na nossa base de clientes (…). É uma equação que tem que ser levada em conta junto com o preço da energia no mercado”. 

 Além desse projeto, a Tradener já participa de outro projeto eólico no Estado, conduzido pela Statkraft Energias Renováveis, conhecido como parque Gran Sul e planejado para gerar cerca de 300 MW, que será implantado em Santa Vitória do Palmar. 

 O anúncio ocorre em um contexto de crise no setor eólico no Brasil, que tem provocado um processo de desindustrialização no país. WEG e Siemens Gamesa informaram a parada temporária da linha de aerogeradores, a GE anunciou a saída do Brasil e a Nordex reduziu a produção. Por outro lado, a chinesa Goldwind instalou sua linha de produção em Camaçari (BA) e fechou recentemente um novo grande contrato com a Spic Brasil. 

 

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