Tokens em vez de bytes: é o que teles devem vender, aconselha CEO da Jio
Depois de trocar os minutos pelos bytes, está na hora de o setor de telecom adotar tokens como a sua moeda. É isso o que pretende fazer a Jio, operadora móvel indiana. Seu CEO, Mathew Oommen, apresentou a proposta em palestra no MWC26, em Barcelona, nesta terça-feira, 3.
“Não queremos ser um cano de tokens, mas um gerador de tokens. Jio será a primeira provedora escalável de serviços de tokens”, disse o executivo.
Ele acredita que as operadoras podem gerar, distribuir e consumir tokens para aplicações de inteligência artificial através de suas redes e a um preço competitivo. “Teremos o menor preço por token por watt”, afirmou.
Ele espera usar a própria rede para processar os tokens, com edge computing. Ao mesmo tempo, largura de banda, latência e resiliência serão ativos valiosos no processamento de tokens que somente as teles conseguem garantir.
“Alguns caras estão retendo 90% do valor (da economia de iA). Mas telecom pode ser a malha da infraestrutura de IA”, comentou. E escreveu em um dos seus slides: “É a nossa oportunidade. Queremos o nosso fair share”.
O CEO da TIM, Pietro Labriola, palestrou no mesmo painel e também demonstrou preocupação de que as teles precisam participar da economia da IA: “Sem rede, a nuvem não tem uso. Sem rede e sem nuvem, a IA não tem futuro”.
Teles como solução para soberania digital
Por sua vez, no mesmo painel, o CEO da operadora turca Turkcell, Ali Taha Koç, sugeriu que as teles podem ser a solução de soberania digital que tanto buscam governos do mundo.
Sua ideia é de que os governos utilizem data centers localizados em seus países com infraestrutura controlada por operadoras nacionais, e com a comunicação protegida por criptografia. Isso deve ser acompanhado por uma estratégia nacional de IA, localização de componentes críticos, regulamentação de IA, energia sustentável e modernização de rede.
Na África, discurso também é de agregar valor
Enquanto isso, na África, embora o 4G e o 5G ainda tenham baixa penetração na maioria dos países, o discurso das teles também é de agregar valor sobre suas redes, como deixou claro o CEO da MTN, Ralph Mupita, no mesmo painel.
“Queremos deixar de ser um cano burro (dumb pipe). Queremos oferecer serviços digitais sobre a conectividade, ter uma conectividade mais inteligente”, disse.
Perguntado sobre 6G, o executivo foi direto: “a maioria da população (da África) ainda está na era da voz. Na MTN estaremos focados em 4G e 5G por pelo menos mais cinco anos”.
Por outro lado, no que concerne o avanço da inteligência artificial, Mupita ressaltou que é preciso tomar cuidado para que o Sul Global não fique muito para trás enquanto o mundo parece se dividir entre Leste e Oeste, ou EUA e China.
