TIM vai terceirizar serviços para conter custos e manter expansão
A provável subida da inflação este ano, na comparação com 2024, vai colocar mais pressão sobre os custos da TIM Brasil, mas a companhia espera contrabalançar esse impacto com um conjunto de iniciativas que inclui – entre outros pontos – a terceirização de serviços. As expectativas de mercado, consolidadas no Boletim Focus, apontam para uma variação de 5,58% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025, ante uma variação positiva de 4,83% no ano passado.
Para tentar conter custos e continuar ampliando lucro e receita acima da inflação, a TIM recorre não só à disciplina fiscal, mas também à digitalização de serviços, à adoção de ferramentas de inteligência artificial e ao redesenho de atividades com o auxílio de parceiros, remunerados com base em ganhos de produtividade e de qualidade do serviço. “Um cenário inflacionário coloca pressão em algumas das nossas linhas de custo. Não tenho dúvida com relação a isso”, disse Alberto Griselli, diretor-presidente da TIM Brasil, em entrevista ao Valor.
Em relatório divulgado pelo Santander em janeiro, analistas estimaram que aproximadamente 75% das despesas operacionais de TIM e Vivo estão expostas aos efeitos da inflação. “Operamos no Brasil há 25 anos e passamos por [períodos de] alta e baixa de inflação. Sabemos nos adaptar e conter isso”, acrescentou Griselli.
Em janeiro, atividades de despacho (envio) de equipes e de alarmística (monitoramento do funcionamento da rede) passaram a ser realizadas por um fornecedor externo, uma grande empresa internacional com ações em bolsa, cujo nome ainda não pode ser divulgado.
“[O parceiro] vai melhorar a automatização que poderíamos fazer internamente, mas entendemos que existem oportunidades melhores em outras áreas”, afirmou Griselli, ressaltando que a mudança visa à redução de custos e o aumento da qualidade do serviço. Atividades como a manutenção de cabos já são realizadas por equipes de diversas empresas externas. Cobrança e gestão de torres de telecomunicações também estão nas mãos de terceiros.
A TIM Brasil lucrou R$ 1,05 bilhão no 4º trimestre do ano passado, um incremento de 17,1% em base anual
A inflação também tende a impactar negativamente a base de clientes do serviço móvel da TIM, na medida em que alimentos e serviços básicos mais caros deixam menos espaço para outras despesas. Na comparação com suas competidoras imediatas (Claro e Vivo), a TIM Brasil tem maior exposição ao segmento pré-pago – ao fim do ano passado, 51,3% da base móvel da operadora eram usuários deste tipo de plano. Griselli argumenta que, por serem essenciais, os serviços de telecomunicações estariam relativamente protegidos num cenário de inflação mais alta.
Mesmo assim, a empresa vai continuar a seguir uma estratégia de tentar “tangibilizar” benefícios ao cliente, como já fez nos últimos anos por meio de “cashback” (recompensas) em produtos e em dinheiro.
A TIM Brasil lucrou R$ 1,05 bilhão no quarto trimestre do ano passado, um incremento de 17,1% em relação ao mesmo período de 2023, conforme os resultados financeiros divulgados pela operadora na noite de ontem. Com uma base móvel de 62 milhões de clientes ao fim de 2024, a operadora registrou aumento de 5,7% na receita líquida normalizada entre outubro e dezembro, para R$ 6,63 bilhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), também pelo critério normalizado, atingiu R$ 3,34 bilhões, alta de 6,2% na comparação com o último trimestre de 2023. A margem Ebitda normalizada ficou em 50,5%, um avanço de 0,3 ponto percentual em base anual.
O diretor-presidente da TIM Brasil destacou como pontos essenciais para a expansão do lucro, do faturamento e do Ebitda acima da inflação o incremento da receita do serviço móvel (5,4% de aumento no trimestre e 6,4% no ano), além do desempenho do segmento corporativo (B2B) e dos serviços digitais.
Pela ótica dos custos da operação, a TIM desembolsou 5,1% a mais no quarto trimestre do ano passado (R$ 3,28 bilhões). Considerando o ano todo de 2024, os custos normalizados de operação subiram 5,2% frente a 2023, somando R$ 12,82 bilhões.
No acumulado de 2024, o lucro líquido normalizado totalizou R$ 3,16 bilhões, incremento de 17,1% ante o ano anterior. Na mesma base de comparação, a receita líquida teve expansão de 6,6%, para R$ 25,44 bilhões, e o Ebitda cresceu 8%.
A operadora planeja manter seus investimentos no país até 2027 no patamar atual, em torno de R$ 4,5 bilhões ao ano. Paralelamente, trabalha para reduzir a relação entre investimento (“capex”) e receita. “No ano passado, fechamos com esse indicador em 17,9%. […] Dois anos atrás [em 2023], esse percentual era de 18,9%. Esse indicador vai continuar caindo”, afirmou Griselli.
A base de clientes de telefonia móvel da TIM cresceu 1,3% em 2024, puxada pela expansão no número de usuários de planos pós-pagos (+ 9,4% na comparação ano contra ano). Já o número de conexões do serviço de banda larga fixa via fibra óptica encolheu 1,3% no período, totalizando 790 mil acessos.
Na visão de Griselli, o mercado de banda larga fixa sofre com um excesso de provedores e um alto nível de competição entre eles. “É um mercado pouco atrativo onde não estamos querendo aumentar a nossa exposição”, disse. Dados compilados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que a TIM ocupava, em dezembro, a décima posição no ranking das maiores operadoras de banda larga fixa, com 1,5% de participação de mercado.
