TIM descarta participação no leilão de ações da V.tal detidas pela Oi
A TIM que não pretende participar do leilão de ações da V.tal detidas pela Oi, reforçando posição de não buscar participações minoritárias como estratégia de expansão em fibra, afirmou o CEO da empresa, Alberto Griselli em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 11.
Griselli afirmou que a companhia está avaliando várias “opções de participação estratégica” no mercado de banda larga, mas que participações minoritárias, como um lote de ações da V.tal, “não são interessantes” no atual cenário. A decisão sinaliza que a operadora não apresentará propostas em certames de venda de participações societárias da V.tal de forma isolada, mesmo que oriundos de processos judiciais envolvendo a Oi e seus ativos.
A V.tal — empresa de infraestrutura de fibra óptica criada a partir dos ativos da Oi S.A. — tem sido objeto de atenção do setor devido à recuperação judicial da Oi, que precisa levantar dinheiro para pagar credores. Em 2025, a Oi detinha participação minoritária de 27,26% no capital social votante da V.tal, que será vendida em leilão judicial até 5 de março. Contudo, conforme Griselli, a TIM não considera essa forma de aquisição alinhada com sua estratégia corporativa.
Estratégia da TIM na banda larga
A estratégia da TIM para a banda larga foi detalhada pelo CEO Alberto Griselli como uma resposta à frustração da tese original de rede neutra. Segundo ele, quando a companhia vendeu o controle da I-Systems em 2020, a expectativa era diluir custos com a entrada de múltiplos ocupantes da rede, gerando economia de escala e maior eficiência na alocação de capital. “Essa era a tese da rede neutra”, afirmou. No entanto, de acordo com ele, o nível de ocupação da rede não foi suficiente. “Os benefícios industriais que a gente vislumbrava atingir não se materializavam”, disse. Diante disso, a TIM decidiu retomar o controle do ativo para recuperar a verticalização da operação.
Griselli afirmou que a recompra da I-Systems permite à empresa voltar a ter controle fim a fim da experiência do cliente e capturar ganhos de eficiência operacional. “Nós vamos ter os benefícios da verticalização integrada”, declarou. Ele reconheceu que a operação implicará aumento de CAPEX, já que a TIM voltará a operar diretamente a rede, mas acrescentou que haverá redução de OPEX e captura de sinergias operacionais, resultando em impacto neutro na geração de caixa. Segundo o CEO, o foco imediato após o fechamento da transação será integrar a operação da I-Systems, unificando estruturas de rede móvel e fixa e buscando economias de escala na manutenção e expansão da infraestrutura.
Ao mesmo tempo, Griselli indicou que a integração amplia a “opcionalidade estratégica” da TIM em um mercado que ele classificou como “hipercompetitivo”. O CEO afirmou que a companhia avalia diferentes alternativas inorgânicas no setor de banda larga, incluindo movimentos envolvendo a V.tal, mas destacou que não há caminho definido. “Estamos avaliando várias opções”, disse, acrescentando que qualquer decisão dependerá de condições que ampliem a geração de valor. Segundo ele, a recompra da I-Systems não altera a participação da TIM no mercado de banda larga, hoje em torno de 2%, mas posiciona a empresa de forma “mais simples” para participar de eventuais consolidações futuras.
