Domingo, 31 de Agosto de 2025

Telefónica tem novo prejuízo trimestral após vendas na América Latina

O grupo Telefónica registrou prejuízo líquido de 51 milhões de euros no segundo trimestre deste ano, de acordo com balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira, 30. As receitas, levando em conta efeitos cambiais, caíram 3,7%, totalizando 8,95 bilhões de euros.

O resultado líquido negativo decorre, sobretudo, de prejuízos relacionados à venda de ativos na América Latina, repetindo cenário já visto no primeiro trimestre, embora em volume significativamente menor – entre janeiro e março, as perdas somaram 1,3 bilhão de euros.

A Telefónica, dona da Vivo no Brasil, informou que houve um prejuízo de 206 milhões de euros referentes às operações descontinuadas no Peru, Uruguai e Equador, o que inclui custos de reestruturação e outros impactos. Por outro lado, as unidades que seguem com o grupo reportaram lucro líquido de 155 milhões de euros.

Vale lembrar que, no segundo trimestre, a companhia reduziu a sua exposição na América Latina, com as vendas das subsidiárias do Uruguai e do Equador – ambas ainda estão em processo de fechamento. No primeiro trimestre, a Telefónica alienou as unidades da Argentina e do Peru, negócios já concluídos, além da Colômbia, que ainda depende de aprovação regulatória. A imprensa internacional também aponta negociações para venda de operação no México.

Em nota, o CEO e presidente da Telefónica, Marc Murtra, afirmou que, após a venda das unidades do Uruguai e do Equador, a empresa “continuará trabalhando para reduzir nossa exposição” na região de responsabilidade da Telefónica Hispam (toda a América Latina, exceto Brasil).

“Olhando para o futuro, esperamos um forte impulso na Europa e no Brasil”, ressaltou o executivo. “Tudo isso leva em consideração a revisão estratégica que estamos conduzindo, que será concluída no segundo semestre de 2025”, complementou.

Receitas
No que diz respeito às receitas, as operações na Espanha e no Brasil foram os destaques, crescendo 1,9% e 7,1%, respectivamente, em termos orgânicos.

Contudo, a flutuação cambial – especialmente a depreciação do real em relação ao euro – prejudicou a contribuição da Vivo para o grupo. Dessa forma, em termos reportados, o faturamento no Brasil caiu 6,6% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período de 2024.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) totalizou 2,92 bilhões de euros, um crescimento orgânico de 1,2%. No entanto, com o impacto cambial, houve queda de 4,8%. A margem Ebitda ficou em 32,6%, ligeira baixa de 0,1 ponto percentual ante o mesmo período do ano passado.

O capex teve queda de 7,1% em termos reportados no segundo trimestre, somando 1,07 bilhão de euros. Dentro dessa cifra, a Vivo desembolsou 381 milhões de euros, baixa de 9% na comparação anual – em termos orgânicos, os investimentos no Brasil tiveram alta de 4,2%.

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