Telecom investirá US$ 617 milhões em IA na América Latina em 2026
O diretor de telecom para a América na IDC, Luciano Saboia, disse que a IA se tornará infraestrutura central das telecomunicações. Neste cenário, a expectativa da empresa de análise de mercado é que a IA em telecomunicações supere US$ 617 milhões em invstimento este ano na América Latina – o Brasil representará a metade disso. O executivo reforçou que a IA em telecom crescerá 37% de forma constante (CAGR) entre 2024 e 2029.
Durante a conferência online IDC Predictions 2026 na última terça-feira, 10, Saboia explicou que a IA ajudará a sustentar a transição de redes estáticas para modelos dinâmicos. Isso mudará a gestão operacional manual e retroativa para objetivos de negócios traduzidos em comportamento de rede acionáveis sem intervenção humana (intent-based).
Na prática, a expectativa é de uma melhora na qualidade de serviço, na experiência de consumidor e na redução estrutural do gasto operacional no longo prazo, assim como um aumento nas parcerias entre as operadoras e fabricantes de equipamentos de rede e hyperscalers.
Revelou ainda que, na recente pesquisa Telecom DX Survey 2025, 67% das telcos brasileiras identificam a IA como uma das mais importantes tecnologias para sua jornada de transformação digital, em um peso similar à evolução das redes celulares móveis.
Fibra ótica e ISPs
Entre as previsões da IDC para o TIC no Brasil em 2026 está a maturidade dos provedores de Internet fixa. Saboia explicou que a evolução dos ISPs impulsionará sua eficiência operacional e consolidação do setor. Na prática, a maturidade significará para esses players a necessidade de:
Reavaliarem modelos negócios;
Migrarem legados para ofertas empacotadas e serviços diferenciados;
Harmonizarem ambientes suas forças com ambientes de TI;
Acelerarem modernização e arquitetura com plataformas cloud-native, unificadas, OSS e BSS.
Isto em um cenário que a empresa de análise estima que 85% dos domicílios serão penetrados por FTTH até 2027 no Brasil. Algo que é reforçado por, atualmente, 60% dos novos investimentos de fibra no Brasil serem feitos por ISPs, em especial no interior.
Questionado por Mobile Time se esta movimentação pode significar avanço dos ISPs para modelos de negócios com conectividade celular, como MVNOs, soluções digitais agregadas e redes privativas, Saboia entende que isso pode ocorrer em parte.
Em resposta por e-mail nesta quarta-feira, 11, o diretor da IDC explicou que os ISPs mais bem-sucedidos vão usar a fibra ótica para oferecer produtos mais convergentes, diferenciados e de valor agregado. E os players mais maduros devem avançar para o B2B em 2026.
Porém, Saboia reflete que isso acontece apenas com uma parcela limitada de operadoras que têm capacidade de investimento contínuo, robustez financeira e maturidade operacional, assim como força consultiva para atender o mercado corporativo.
A maioria das operadoras regionais, porém, atuam com estruturas enxutas, foco tático na expansão geográfica e margens pressionadas, o que limita sua capacidade tecnológica. Com isso, o cenário de 2026 será de uma polarização:
Poucos ISPs se consolidando como integradores e parceiros regionais de empresas;
A maioria concentrada no modelo de banda larga tradicional com alguns buscando consolidação como alternativa de escala.
Satélites
Em satélites, Saboia prevê que a conectividade de baixa órbita (LEO) será integrada nativamente às redes de comunicações. Como um backhaul, as arquiteturas híbridas satélite-terrestre terão capacidade de ampliar a conectividade em áreas remotas e de difícil acesso, como regiões rurais e amazônicas.
Com isso, o executivo da IDC afirmou que o mercado de LEO no Brasil deve crescer dois dígitos e se expandir em 2026, ano em que superará a marca de 1 milhão de acessos contínuos (excluindo acessos pontuais). O cenário é similar para toda a América Latina.
O diretor compartilhou ainda o resultado de uma pesquisa na região que revelou que 57% das empresas devem adotar o LEO como parte de suas estratégias de rede até 2029.
IoT
Outra previsão que o especialista em telecomunicações trouxe foi o crescimento de rede LP-WAN (NB-IoT e LTE-M) e 5G RedCap em M2M. Puxado pelo avanço de tecnologias como eSIM, APIs e gerenciamento unificado (UICC) para setores como utilities, logística e saúde, a expectativa é que o Brasil alcançará 65 milhões de conexões ativas em LP-WAN em 2026. Por sua vez, o RedCap começará a avançar no IoT brasileiro neste ano. A partir desses investimentos, a IDC acredita que o desligamento do 2G será acelerado para dar mais espectro ao 4G e 5G.
