Domingo, 31 de Agosto de 2025

Tarifaço de Trump: Setores da indústria projetam prejuízos bilionários

Após o anúncio das novas sobretaxas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos, setores da indústria nacional iniciaram a precificação dos potenciais prejuízos. As entidades setoriais reforçam o apelo para que o governo Lula intensifique as negociações com os norte-americanos antes de 6 de agosto, quando as novas taxas entram em vigor.

A Abinee (Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica) manifestou preocupação com a não inclusão de equipamentos cruciais, como transformadores para rede elétrica, na lista de isenções. Quase 30% das exportações do setor para os EUA no primeiro semestre foram afetadas.

O presidente da Abinee, Humberto Barbato, ressaltou a importância da continuidade das negociações para incluir esses produtos e pediu a adoção de medidas compensatórias pelos governos federal e de São Paulo para evitar a perda de competitividade, a paralisação de embarques e a queda de encomendas.

A Abal (Associação Brasileira do Alumínio) projeta um prejuízo de R$ 1,15 bilhão com as sobretaxas. Embora o aluminío esteja isento, a bauxita, hidróxido de alumínio e cimento aluminoso ficaram de fora. Os EUA são o terceiro principal destino das exportações brasileiras de alumínio, e cerca de um terço dos mais de US$ 773 milhões comercializados anualmente com o país estará sujeito à sobretaxa.

O setor já acumulou uma perda de US$ 46 milhões (R$ 350 milhões) em exportações neste ano devido a tarifas anteriores de Trump. A Abal alerta para o risco de que os efeitos se estendam a produtos não sobretaxados, devido aos desequilíbrios gerados na cadeia produtiva entre Brasil, EUA e Canadá.

Na indústria de móveis, o sentimento é de apreensão. Móveis de madeira, que dominam a pauta exportadora, não foram incluídos nas isenções, enquanto os de metal e plástico reforçado não serão sobretaxados. A Abimovel estima um impacto imediato e sistêmico, projetando a perda de 9.000 postos de trabalho ao longo da cadeia moveleira em todo o Brasil.
Com os EUA respondendo por cerca de 30% das exportações de móveis e quase 40% da cadeia moveleira completa, polos produtores como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo já registram cancelamentos, interrupções na produção e suspensão de embarques, com tendência de agravamento no Norte e Nordeste.

A Assintecal (Associação de empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) teme a perda de competitividade. Com os EUA recebendo 20% das exportações do setor, e a China já exportando com 30% de sobretaxa, a alíquota de 50% sobre os produtos brasileiros tende a inviabilizar as exportações calçadistas.

Produtos químicos para couros também serão atingidos, segmento em que os curtumes representam mais de 60% das vendas. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do couro brasileiro.

Apesar de um crescimento de 30% nas exportações de componentes e químicos para couro para os EUA no primeiro semestre de 2025, a Assintecal sinaliza que empresas do setor serão diretamente afetadas em sua rede de abastecimento para o mercado estadunidense.

Compartilhe: