Tarifaço: Abinee pede urgência em negociações bilaterais
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) afirmou nesta quinta-feira, 14, que as medidas anunciadas pelo Brasil podem amenizar os efeitos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre exportações industriais brasileiras. A entidade, porém, cobra urgência em negociações bilaterais para abrir novos mercados e evitar perda de competitividade.
Na avaliação da Abinee, o Brasil precisa garantir espaço em cadeias globais de valor, especialmente nos setores de infraestrutura energética e indústria. O plano do governo prevê ampliar e diversificar mercados, com acordos já fechados com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Também há negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos e Canadá.
Entre as medidas, a Abinee destacou mudanças no Reintegra, o diferimento de tributos federais e a prorrogação do regime de Drawback. Esses pontos faziam parte dos pleitos da entidade ao governo. Para a associação, no entanto, os mecanismos “ainda precisam ser regulamentados e melhor analisados”.
Diálogo com os EUA
A Abinee também defendeu que o diálogo com os Estados Unidos seja mantido. A associação mencionou que a relação diplomática entre os dois países tem cerca de 200 anos e é marcada pelo “intercâmbio comercial e cultural”.
Um dos problemas avaliados é que alguns produtos afetados pelas tarifas, segundo a associação, são fabricados sob encomenda para o mercado norte-americano — seguindo diretrizes e regras legais dos Estados Unidos. Isso impede o redirecionamento para outros países.
Para a Abinee, se os EUA não reverem a decisão ou não incluírem esses produtos na lista de exceções, algumas encomendas feitas por clientes norte-americanos acabarão sendo atendidas por fornecedores de outros mercados.
No primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações do setor eletroeletrônico brasileiro, com 29% do total. De acordo com a Abinee, o comércio é superavitário para os norte-americanos. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou US$ 1,1 bilhão para os EUA e importou US$ 2,4 bilhões, acumulando déficit de US$ 1,3 bilhão.