Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Tarifa de energia já mostra pressão sobre a inflação no IPC-S da segunda quadrissemana de setembro

O IPC-S, do FGV Ibre, acelerou de 0,05% para 0,21% na segunda quadrissemana de setembro. A tarifa de energia e os alimentos, responsáveis pela queda da inflação em agosto, pesam agora para elevar a taxa. O preço da energia variou 2,29%, ante a uma queda 0,14% na semana anterior. Embora ainda no campo negativo, o grupo Alimentação também aponta aceleração, ficou negativo em 0,17%, enquanto caia 0,45% na semana de 7 de setembro. André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Consumidor do FGV Ibre, diz que não há dúvida que a tarifa de energia será a vilã da inflação de setembro, mas pontua que preocupa o aumento de preço entre vários alimentos. Diante desta prévia, o economista estima que a taxa fechará o mês em 0,50%.

– O IPC-S pode chegar a 0,5% em setembro. Essa apuração ainda tem 15 dias em agosto e 15 dias em setembro, então ainda tem uma influência do mês passado. O que me preocupa é que no caso da alimentação há um espalhamento maior. Você tem muitos alimentos apresentando alta. Naquele período de queda, a contribuição forte era de produtos in natura, como cebola, tomate, batata, cenoura que tiveram recuo de preço. Agora, esses alimentos ainda continuam com alguma queda, mas já se percebe feijão, café, leite, carne subindo. Não estão subindo de forma explosiva, mas gradualmente e uma seca mais prolongada pode atrapalhar as safras importantes. Os produtos in natura têm lavouras muito curtas, agora os alimentos que dependem de safras de ciclo mais longo, quando vem uma seca e essa safra se perde ou tem uma produtividade reduzida, o preço leva mais tempo para se recompor numa futura safra. Então a alimentação passaria mais tempo com taxas mais altas – explica Braz.

O economista chama atenção ainda para o fato de que a duração da seca tem efeito direto sobre o valor da energia e que o preço dessa tarifa se reverbera em vários setores, principalmente, no setor de serviços que já tem uma inflação acima da média geral:

– A energia tem efeitos indiretos . Quanto mais a bandeira tarifária permanece no atual patamar, quanto mais tempo se mantém a bandeira vermelha patamar, mais ela encarece custos, principalmente de quem presta serviços como um consultório médico, um salão de beleza, um pequeno restaurante, quanto para o grande comércio, uma padaria, um barzinho. Eles vão pagar uma energia mais cara e isso pode ser repassado para o preço de produtos e serviços. E ainda tem o câmbio e o mercado de trabalho aquecido, que pode aumentar a demanda por comida, colocando um pouco mais de lenha nessa fogueira de alimentos, bens duráveis, de serviços, de tudo. E há a geração de empregos sazonais nessa época do ano para dar conta das festas de final de ano que já está rolando e é mais dinheiro que você tem na economia, mais pressão.

Braz diz que esse cenário reforça a tendência de aumento dos juros na reunião do Copom, esta semana. Ele explica, no entanto, que a elevação da Selic não deverá ter efeito na inflação deste ano.

– Por conta dessas fontes de pressão que se acumulam, acredito que a autoridade monetária vai decidir pelo aumento de juros, não que vai frear a inflação deste ano, mas vai evitar um contágio maior no ano que vem. A alta de juros leva de de 6 a 9 meses para fazer efeito.

 

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