Domingo, 5 de Abril de 2026

Supercondutor bate recorde de temperatura depois de 30 anos

Supercondutor bate recorde de temperatura depois de 30 anos

Instrumento usado para validar os resultados de supercondutividade em temperaturas menos frias.
[Imagem: University of Houston]

Recorde de supercondutividade

Uma equipe da Universidade de Houston e do Centro de Supercondutividade do Texas, ambos nos EUA, quebraram o recorde de temperatura para supercondutividade à pressão ambiente que já durava mais de três décadas.

Depois da decepção com a desmentida descoberta de um supercondutor à temperatura ambiente, há pouco mais de dois anos, a comunidade científica se voltou novamente para os progressos lentos, mas mais seguros, de tornar os supercondutores viáveis a temperaturas cada vez menos frias.

Rohit Prasankumar e seus colegas sintetizaram um supercondutor que apresentou uma temperatura de transição (Tc) de -122 ºC (151 K) sob pressão ambiente, a mais alta já registrada para todos os supercondutores sob pressão ambiente desde a descoberta da supercondutividade, em 1911.

A temperatura de transição é o ponto abaixo do qual um material se torna supercondutor, o que significa que a eletricidade pode fluir através dele sem resistência. Supere essa temperatura e o material volta a se comportar como um condutor comum.

Aumentar essa temperatura tem sido um dos principais objetivos da pesquisa em supercondutividade há décadas. Quanto mais os cientistas conseguirem aproximar a Tc da temperatura ambiente, mais práticas e acessíveis as tecnologias supercondutoras poderão se tornar. Para se ter uma ideia, apenas transportar a eletricidade da usina para sua casa resulta em perdas que podem chegar a 8% considerando apenas o efeito Joule, que é o aquecimento dos cabos pela passagem da corrente devido à resistência elétrica.

Além de melhorar a eficiência das redes elétricas, supercondutores permitirão construir sistemas avançados de imagem médica, tecnologias de energia de fusão nuclear e desenvolver eletrônicos mais rápidos. No entanto, os supercondutores conhecidos até agora precisam ser resfriados a temperaturas extremamente baixas, o que os torna caros e difíceis de usar.

Supercondutor bate recorde de temperatura depois de 30 anos

A inovação foi possível graças a um novo protocolo de resfriamento sob pressão para estabilizar fases metaestáveis à pressão ambiente.
[Imagem: University of Houston]

Supercondutores de alta temperatura

Quando foi descoberta, a supercondutividade só ocorria perto do zero absoluto (-273,15 ºC, ou 0 K). Então, em 1987, uma descoberta marcante revelou que um material chamado YBCO atinge a supercondutividade a -180 °C (93 K), dando início à corrida mundial para o desenvolvimento de supercondutores de alta temperatura.

Posteriormente, em 1993, foi descoberta uma cerâmica de óxido de cobre à base de mercúrio, conhecida como Hg1223, que apresenta supercondutividade a até -140 °C (133 K). Essa cerâmica vinha mantendo o recorde de Tc à pressão ambiente desde então.

Agora, a equipe aumentou esse valor em 18 °C, chegando a -122 ºC (151 K).

Esse avanço foi possível graças a uma técnica conhecida como têmpera por pressão, uma nova abordagem para supercondutores, embora comumente usada em outras áreas, como no cultivo de diamantes industriais. Nesse método, uma pressão intensa é aplicada ao material para otimizar suas propriedades supercondutoras e elevar sua temperatura de transição.

Enquanto o material está sob pressão, ele é resfriado a uma temperatura específica e a pressão é liberada rapidamente, “fixando” as propriedades supercondutoras aprimoradas. Usando esse método, os pesquisadores conseguiram preservar a Tc mais alta mesmo após a remoção da pressão, permitindo que o material permanecesse estável em condições normais.

“A supercondutividade à temperatura ambiente tem sido vista como o ‘santo graal’ pelos cientistas há mais de um século,” disse Prasankumar. “Nossos resultados mostram que esse objetivo está mais próximo do que nunca. No entanto, a distância entre o novo recorde estabelecido neste estudo e a temperatura ambiente ainda é de cerca de 140 graus Celsius. Reduzir essa diferença exigirá esforços conjuntos e intencionais de toda a comunidade científica, incluindo cientistas de materiais, químicos e engenheiros, bem como físicos.”

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