Só 3 em cada 10 brasileiros descartam lixo eletrônico de forma correta
Apesar disso, houve avanço na conscientização; o número de pessoas que sabem o que é lixo eletrônico subiu de 42% para 66%, mostra levantamento da Green Eletron.
A consciência ambiental do brasileiro sobre o destino correto dos eletroeletrônicos vem aumentando, mas o descarte ainda enfrenta barreiras. Segundo a pesquisa Resíduos Eletrônicos no Brasil 2025, realizada pela Green Eletron em parceria com o instituto Radar Pesquisas, 66% da população já sabe o que é lixo eletrônico e 8 em cada 10 entrevistados conhecem pontos de coleta. Ainda assim, 32% dos entrevistados guardam em casa algum aparelho sem uso, principalmente celulares antigos — e quase metade deles, 43%, admite não saber como descartá-los corretamente.
O levantamento ouviu cerca de três mil brasileiros entre maio e junho de 2025, em todas as capitais do país e regiões metropolitanas. Ainda que apenas 3 em cada 10 brasileiros descartam de forma devida, os resultados mostram avanços importantes: o número dos que levam seus eletrônicos a pontos de descarte aumentou 10% desde 2021.
“Os dados reforçam que o brasileiro está mais consciente, mas a falta de informação e a conveniência ainda pesam. Saber onde e como descartar é o grande desafio”, avalia Ademir Brescansin, gerente executivo da Green Eletron. A entidade, sem fins lucrativos, é gestora de logística reversa de produtos eletroeletrônicos, pilhas e baterias no Brasil.
O paradoxo do consumo digital
O levantamento indica que a conveniência é o novo obstáculo para descarte. Para 30% dos entrevistados, o processo de descartar corretamente é “trabalhoso”. Outros 21% acreditam que deveria haver coleta domiciliar.
Essas respostas revelam um fenômeno que se repete em outras agendas ambientais: a disparidade entre consciência e prática. A informação chega — mas o sistema de apoio ainda é insuficiente. A própria pesquisa mostra que 38% se sentiriam mais motivados a descartar corretamente se encontrassem pontos de coleta em seus trajetos rotineiros.
Ainda assim, há sinais de mudança. 78% dos entrevistados conhecem pontos de coleta e entre eles, 79% já levaram eletroeletrônicos, pilhas ou baterias para o descarte correto. Em 2023 esse número era de 75%.
O desafio, segundo Brescansin, é transformar a reciclagem em um ato cotidiano. “Assim como aprendemos a separar o lixo comum do reciclável, precisamos incorporar o descarte do lixo eletrônico como parte do nosso cotidiano. É uma questão de hábito, informação e responsabilidade compartilhada.”
Jovens e mulheres lideram em conscientização
O estudo mostra que os jovens da Geração Z, entre 18 e 25 anos, são o grupo mais informado sobre o tema, onde 70% dos entrevistados sabem o que é o lixo eletrônico, enquanto 60% dos brasileiros com idade entre 46 e 65 anos tem esse conhecimento. Um dado que reforça o papel das novas gerações na pauta ambiental. Além disso, as mulheres estão oito pontos percentuais acima dos homens quando o assunto é conhecimento sobre lixo eletrônico.
Desde sua criação, em 2016, a Green Eletron —– atua como um elo entre o setor produtivo e o cidadão. São mais de 11 mil pontos de coleta em cerca de 1.300 cidades e mais de 20 mil toneladas de lixo eletrônico já recolhidas.
Para Ademir Brescansin, o avanço do descarte correto de eletrônicos tem um valor que vai além da preservação ambiental. “Esse movimento representa a consolidação da economia circular, modelo que redefine o ciclo de vida dos produtos e devolve valor aos materiais antes vistos como lixo. No caso dos eletroeletrônicos, isso significa recuperar metais e componentes valiosos, reduzir a pressão sobre a extração de matéria prima virgem e gerar empregos verdes”.
Por: Ademir Brescansin, gerente executivo da Green Eletron.
