Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Sinch começa a operar Open Gateway no Brasil neste semestre

A Sinch vai operar comercialmente serviços baseados em Open Gateway no Brasil ainda neste semestre, marcando a entrada da companhia na oferta de APIs de rede em parceria com as operadoras móveis que atuam no país. A iniciativa integra a estratégia global da empresa de ampliar o portfólio de comunicação empresarial com funcionalidades diretamente expostas pelas redes de telecomunicações.

A operação permitirá que clientes corporativos da Sinch acessem, por meio de uma interface padronizada, APIs relacionadas a verificação de número, confirmação de identidade, detecção de troca de SIM (SIM swap) e geolocalização, entre outras. Esses recursos são oferecidos pelas operadoras no escopo do Open Gateway, iniciativa coordenada pela GSMA para padronizar o acesso a capacidades de rede.

Segundo Mauricio Senna, diretor de relacionamento com operadoras da Sinch, a entrada no segmento de integração do Open Gateway no Brasil neste momento acompanha a disponibilização de mais APIs pelas operadoras. A expectativa é iniciar com casos de uso mais maduros, especialmente ligados à segurança, autenticação e prevenção a fraudes.

Open Gateway como complemento à mensageria
Segundo ele, o Open Gateway passa a funcionar como mais um canal dentro de sua plataforma de comunicação, sem substituir SMS, WhatsApp, RCS ou e-mail em volume de receitas.

A avaliação é que, neste estágio inicial, a maior parte da demanda virá de setores como serviços financeiros, varejo e plataformas digitais, onde a validação do usuário final é um requisito central para operações críticas.

Brasil como mercado de referência

Em visita ao Brasil para estabelecer os planos de ação de 2026, a vice-presidente para as Américas, Julia Fraser, falou ao Tele.Síntese. Segundo ela, Brasil e México apresentam um nível de adoção de comunicação bidirecional entre marcas e consumidores superior ao observado na América do Norte, principal mercado da companhia de origem sueca.

Segundo a executiva, essa dinâmica resulta da alta penetração de smartphones Android, do uso massivo do WhatsApp e de características culturais que favorecem interações mais próximas entre empresas e clientes. “É um mercado onde o consumidor demanda experiências mais conversacionais, e isso gera aprendizados que podem ser replicados globalmente”, afirmou.

Atualmente, o WhatsApp é o principal canal da Sinch no Brasil em volume de mensagens, seguido por SMS e, em estágio inicial, pelo RCS. A empresa também passou a ofertar serviços de e-mail corporativo no país há menos de um ano, com foco em campanhas promocionais e comunicações transacionais.

RCS cresce, mas enfrenta barreira comportamental
Na avaliação dela, o RCS tende a crescer de forma progressiva no mercado brasileiro, impulsionado por recursos como mensagens verificadas, identificação da marca e métricas detalhadas de engajamento, como confirmação de abertura e cliques.

Apesar disso, a Sinch reconhece que a forte presença do WhatsApp cria uma barreira comportamental para a adoção acelerada do RCS no Brasil, diferentemente de mercados onde o aplicativo não é dominante e a caixa de mensagens nativa do celular já funciona como canal principal.

Estrutura local e relação com operadoras
A Sinch mantém cerca de 450 funcionários no Brasil, com equipes de vendas, tecnologia, operações e uma área global de mitigação de fraudes, que também atende outros mercados. A empresa opera com conexão direta às principais operadoras brasileiras, incluindo Vivo, Claro e TIM, o que, segundo a companhia, contribui para maior qualidade, transparência e controle do tráfego de mensagens.

Embora não seja regulada diretamente pela Anatel, a Sinch atua como uma primeira camada de controle de integridade, realizando verificações sobre campanhas e clientes antes do envio das mensagens às redes das operadoras. Parte adicional desse processo é executada pelas próprias prestadoras de telecomunicações.

A América Latina representa uma parcela de um dígito da receita global do grupo, mas tem relevância estratégica desproporcional. A região é vista como um ambiente de teste e inovação, onde soluções desenvolvidas localmente — como aplicações de mensageria para cobrança e renegociação financeira — já foram posteriormente levadas a clientes nos Estados Unidos e na Ásia.

A executiva destacou ainda que cerca de 60% da receita global está concentrada na América do Norte, mas que mercados como Brasil e México exercem papel central na evolução dos modelos de comunicação empresarial que a companhia pretende escalar globalmente.

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