Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Setor de vidro alcança meta de reciclagem em 2024

 A indústria de produtos comercializados em embalagens de vidro no Brasil conseguiu bater a meta de 25% de reciclagem no ano passado, definida em decreto que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei 12.305/15. Até então, apenas 11% dos vasilhames desse material recebiam a destinação adequada. 

 O Decreto 11.300/22 foi cumprido com o índice apertado de 25,1%, no esforço majoritariamente do setor de bebidas, aponta o relatório da Circula Vidro enviado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Das 877 mil toneladas de vidros consumidos, 221 mil de toneladas retornaram para a indústria. 

 Atuando como entidade gestora da reciclagem, a Circula Vidro estima que a destinação apropriada das embalagens de vidro no país esteja em 30,2%. O relatório, porém, só considera o material recolhido que passou pela coleta certificada, rastreada por meio de notas fiscais. 

 O executivo-chefe (CEO) da entidade, Fabio Ferreira, explica que a logística reversa do vidro é, em parte, facilitada pelo fato de grande parte do consumo ocorrer em setores organizados – como bares, restaurantes e hotéis. Porém, o que não é recolhido pelos sistema de logística reversa, pelos fabricantes de bebidas, precisa contar com sistema de coleta seletiva considerado pouco eficiente. 

 O baixo valor comercial do vidro reaproveitado também dificulta o engajamento na coleta espontânea ou por cooperativas de catadores, como ocorre com o alumínio. O metal tem preço mais atrativo. Isso permite alcançar o índice de reciclagem de 99,7%, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Lata de Alta Reciclabilidade (Abralatas). 

 Ferreira explica que o cumprimento da meta foi possível pela grande mobilização do setor, entre fabricantes de embalagens e bebidas, empresas de beneficiamento de vidro, distribuidores, comerciantes e importadores. 

 “O setor tem empresas muito grandes que se preocupam com o risco reputacional.” 

 Ao Valor o secretário nacional de meio ambiente urbano e mudança do Clima do MMA, Adalberto Maluf, ressaltou que foi importante, logo “no primeiro ano de operação”, criar a entidade gestora e cumprir a meta de 25%. Disse também que foi atingida a exigência de conteúdo reciclado no vidro com mais de 32%. 

 

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