Segurança, B2B, redes privativas e renegociações: caminhos para teles voltarem a crescer na América Latina
O cenário atual é desafiador para as operadoras na América Latina. Com receitas estagnadas, cortes de custo e pressão competitiva, investidores estrangeiros estão botando ativos à venda enquanto outros entram em recuperação judicial – vide os movimentos de Telefónica e WOM, respectivamente. Para saírem dessa situação, o caminho passa pela renegociação de contratos com fornecedores e pelo desenvolvimento de novas receitas, especialmente no mercado corporativo (B2B). O tema foi debatido em painel no evento Telco Transformation, nesta quarta-feira, 27, no Rio de Janeiro.
“Crescemos, mas não como gostaríamos. Enquanto a tecnologia avança, a expectativa dos clientes muda: querem mais qualidade mas não estão dispostos a pagar mais”, comentou Christian Cavalle, diretor de tecnologia da Movistar Peru.
Para Felipe Rivillas, CISO de Liberty Latin America, o atual cenário é uma oportunidade para as teles renegociarem contratos com todos os seus fornecedores.
David Aranda, global head of OSS e network telco da Minsait, por sua vez, sugeriu que as teles deveriam começar focando na otimização e no ganho de eficiência em suas redes, antes de pensarem em novos serviços.
América Latina: novas fontes de receita
A transformação das telcos em techcos, ou seja, em companhias de tecnologia, junto com a criação de novos serviços, é o caminho para melhorarem os balanços financeiros, concordaram os participantes do painel.
“É uma transformação de dentro para fora. É preciso converter as redes de telecom em plataformas”, aconselhou Carlos Gramajo, vice-presidente de cloud e network services na América Latina da Nokia.
Gramajo destacou que há grande potencial para as teles explorarem junto ao mercado B2B, seja através de APIs do Open Gateway, seja com a construção de redes celulares privativas (RCPs).
O sucesso da Movistar Peru com projetos de RCPs para mineradoras peruanas foi citado como exemplo. Lá, há pelo menos oito projetos desse tipo no setor de mineração. Todo usam o espectro da rede pública 4G da Movistar, mas com core privado, explicou Cavalle, em conversa com Mobile Time.
Serviços de segurança digital também foram apontados como sendo de grande potencial a ser explorado pelas teles. “Ciberseguranca é uma oportunidade linda, porque todos os clientes passam pelas nossas redes”, comentou Rivillas, da Liberty.