Schulz compra participação em parque solar da Elera em MG
A fabricante catarinense Schulz comprou participação societária no parque solar da Elera, empresa que atua no segmento de energias renováveis da gestora canadense Brookfield. O contrato segue o modelo de autoprodução, em parque com capacidade instalada de 48 MW que integra o complexo solar Janaúba, em Minas Gerais.
Neste modelo de negócios, a Schulz passa a deter uma fatia no capital da usina e recebe outorga para produzir energia elétrica destinada a seu uso exclusivo.
Além da busca por custos menores e maior eficiência operacional, as companhias que entram neste segmento deixam de pagar alguns encargos. Ao mesmo tempo, como os custos do sistema permanecem os mesmos, o montante acaba sendo rateado pelos demais consumidores.
Com o acordo, a Schulz evitará a emissão de mais de 32 mil toneladas de gás carbônico anualmente, neutralizando suas emissões do Escopo 2 de gases de efeito estufa. Com isso, alcança 100% do consumo de energia elétrica proveniente de fontes renováveis.
Atualmente, o complexo é o maior da América Latina, com capacidade instalada total de 1,2 GWp, que deverá crescer para 1,6 GWp em 2025, com a expansão para 27 SPEs (sociedades de propósito específico).
Sandro Trentin, CEO da Schulz, diz que o objetivo é cumprir o compromisso público de antecipar as emissões em 2025, além de ter uma redução de custos.
“Contamos com uma energia com preço mais equilibrado, com menos variação de custo e estabilidade no fornecimento, já que hoje há uma grande oscilação no preço da energia, que está sujeita principalmente às questões climáticas”, explica.
A empresa consome cerca de 25 megawatts-médios (MWm) de energia. Este é um contrato de 12,5 MWm e tem duração de 15 anos. A aquisição é de 89% do total das ações ordinárias da SPE (sociedade de propósito específico) por meio de um contrato de compra e venda de energia elétrica.
Para especialistas, a corrida por contratos deste modelo se deve ao receio de que o governo decida incluir a categoria entre os pagantes dos encargos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo bancado pelos consumidores via tarifa.
Segundo o CEO da Elera, André Flores, essa procura já vem crescendo nos últimos anos, motivada por um maior conhecimento sobre a modalidade e seus benefícios, uma vez que a energia elétrica representa uma parcela significativa das despesas de alguns setores da economia. Além de aumentar a competitividade das empresas, existe o aspecto da sustentabilidade.
“Através do investimento próprio na construção de novos projetos de energia renovável, as empresas reduzem a pegada de carbono de suas atividades, contribuindo tanto para o atingimento de suas metas internas de redução de emissões quanto dos compromissos assumidos pelo país”.
Nos últimos dois anos, a Elera firmou mais de 1 gigawatt-pico (GWp) de capacidade instalada em contratos de autoprodução, com dez parceiros diferentes. Em 2024, a empresa assinou seis desses contratos, que viabilizaram a entrada em operação da terceira fase do complexo, o maior das Américas.
