Quarta-feira, 2 de Setembro de 2026

Sateliot e Constanta vão testar IoT por satélite LEO em rede de energia no Brasil

A Sateliot e o Grupo Constanta firmaram acordo para testar no Brasil a conexão direta de dispositivos de Internet das Coisas (IoT) a satélites de baixa órbita. A primeira aplicação será voltada à infraestrutura de distribuição de energia e terá uma demonstração ainda em 2026.

Segundo as empresas, o projeto será a primeira implementação no País de IoT conectado a satélite LEO nesse segmento. O objetivo é utilizar a cobertura espacial em locais onde dispositivos instalados em redes de energia não disponham de conexão terrestre.

A Sateliot opera uma rede baseada no padrão 5G NTN (Non-Terrestrial Networks) definido pelo 3GPP. A arquitetura permite utilizar a tecnologia NB-IoT para comunicação direta entre equipamentos em solo e satélites.

A Constanta está concluindo o processo de habilitação dos dispositivos que serão utilizados no projeto. A proposta é que o equipamento use uma rede terrestre quando houver cobertura e passe à conexão via satélite da Sateliot quando estiver fora do alcance dessas redes.

Mesmo dispositivo para rede terrestre e satélite
Um dos pontos tecnológicos da parceria é evitar a necessidade de um equipamento dedicado exclusivamente à comunicação por satélite.

De acordo com as empresas, a compatibilidade da rede da Sateliot com as especificações do 3GPP utilizadas no NB-IoT terrestre permite habilitar os dispositivos por meio de certificação e configuração, sem redesenho do hardware.

Com isso, equipamentos destinados originalmente à comunicação por redes móveis podem incorporar a conectividade NTN como alternativa para áreas sem cobertura terrestre.

Essa arquitetura é particularmente relevante para aplicações de IoT caracterizadas por baixo volume de dados, dispositivos distribuídos geograficamente e necessidade de longa autonomia.

“A conectividade via satélite LEO baseada em padrões abertos está abrindo novas oportunidades para países de grande extensão territorial e ambições digitais crescentes. O Brasil é um dos exemplos mais claros desse potencial”, afirma Gianluca Redolfi, CCO da Sateliot.

Utilities serão primeiro mercado
A distribuição de energia será o primeiro segmento explorado pelas empresas. Nesse mercado, a comunicação pode ser utilizada para supervisão de equipamentos, monitoramento de ativos e identificação remota de falhas.

O Grupo Constanta reúne empresas que já fornecem equipamentos e sistemas para diferentes aplicações de IoT. A HartBR atua com religadores para redes elétricas equipados com módulos de comunicação; a Laager trabalha com soluções para água e gás; e a Nexum IoT desenvolve projetos relacionados a iluminação pública e eficiência energética.

A estratégia é utilizar essa base para ampliar posteriormente a aplicação da conectividade via satélite.

“O Brasil precisa de soluções de conectividade capazes de alcançar onde as redes tradicionais não chegam. Essa aliança com a Sateliot vai nos permitir ampliar o alcance das nossas soluções de IoT”, afirma Roberval Tavares, CEO da Constanta.

Além de energia e smart grids, as empresas apontam iluminação pública, eficiência energética, saneamento e agricultura como mercados para futuras implementações.

5G NTN amplia alternativas para IoT
A utilização das especificações NTN do 3GPP procura aproximar as redes móveis terrestres das redes de satélites. Em vez de manter ecossistemas tecnológicos completamente separados, a arquitetura permite integrar a cobertura espacial aos padrões utilizados pelas redes celulares.

Para aplicações de IoT, isso abre a possibilidade de conectar sensores e equipamentos instalados em locais onde a construção de infraestrutura celular convencional não seja economicamente viável ou onde a cobertura seja intermitente.

No caso das utilities, esse problema aparece em linhas de transmissão e distribuição, subestações, sistemas de abastecimento, dutos e pontos de medição localizados fora dos centros urbanos.

A parceria prevê utilizar a conectividade para monitoramento de ativos, detecção de falhas e redução da necessidade de deslocamento de equipes a campo.

Sateliot prepara nova geração de satélites
Fundada em Barcelona em 2018, a Sateliot desenvolve uma constelação LEO voltada à conexão de dispositivos IoT seguindo especificações 3GPP Release 17 NTN.

A companhia informa que pretende lançar em 2027 sua nova geração de satélites, denominada Tritó.

A demonstração brasileira prevista para este ano será, portanto, uma etapa anterior a uma eventual implantação comercial em maior escala. O comunicado não informa quantidade de dispositivos que participarão do teste, localização da demonstração, empresa de energia envolvida nem cronograma para a expansão comercial.

Também não foram divulgados valores de investimento ou metas de dispositivos conectados no Brasil. A etapa de 2026 servirá para testar a integração dos equipamentos do Grupo Constanta com a rede LEO da Sateliot antes da expansão pretendida para outras aplicações de infraestrutura e IoT.

*Com assessoria de imprensa

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