Domingo, 31 de Agosto de 2025

Saiba se fabricação de chips no Brasil pode ser afetada por tarifa de 100% anunciada por Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está levando a sério seu plano de tonar a “América Grande Novamente”, como dizia seu slogan de campanha. Após taxar produtos brasileiros e indianos, o mandatário estadunidense anunciou que vai impor uma tarifa de 100% sobre chips e semicondutores usados em eletrônicos e outros equipamentos.

O comunicado de Trump acendeu um alerta no mercado, apesar de ter sido feito sem grandes detalhes. O presidente dos EUA apenas afirmou que “todos os chips e semicondutores que chegam aos EUA” serão taxados. Ele ainda acrescentou que empresas que decidirem transferir sua produção para o país, ficarão isentas.

Atualmente, o maior produtor de chips no mundo fica na Ásia e engana-se quem apostou na China. Trata-se de Taiwan, considerada uma ilha rebelde pelos chineses, apesar de sua independência. Inclusive, o mercado de chips é um dos principais motivos da China desejar anexar o país vizinho ao seu território.

Mercado brasileiro de fora

Para o mercado brasileiro, uma possível taxação dos EUA não implicaria perdas, já que as empresas responsáveis pela fabricação de chips não são exportadoras. “Temos cinco fabricantes, todas atendem e abastecem exclusivamente o mercado interno”, explica o coordenador geral da ITT Chip, Celso Peter. O Instituto Tecnológico funciona no campus da Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo.

Uma destas empresas também está localizada em São Leopoldo, a sul-coreana HT Micron. No Brasil, os chips são utilizados em componentes de memória.

Segundo Peter, duas fabricantes paulistas estavam se preparando para entrar no mercado dos EUA. “Ainda estavam na fase de planos. Agora devem aguardar um pouco mais.”

O coordenador do ITT Chip salienta que chips são produzidos apenas quando há encomenda. “Não se faz estoque deste tipo de produto.”

Componentes eletrônicos

Ao contrário dos microeletrônicos (componentes), os equipamentos eletrônicos estão fora da lista de exceção divulgada pelo governo dos EUA.

Conforme a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), entre os equipamentos afetados estão transformadores para rede elétrica, mesmo que alguns destes itens estejam na lista, as aplicações são diferentes dos produtos exportados.

No primeiro semestre deste ano, os EUA representaram 29% do total exportado pelo setor eletroeletrônico brasileiro, sendo o principal destino das vendas externas.

 

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