Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Sabesp conclui mais quatro usinas solares para consumo próprio com custo de R$ 30 milhões

A Sabesp concluiu quatro novas usinas fotovoltaicas para consumo próprio, exploradas na modalidade de geração distribuída (GD). Ao todo, a empresa de saneamento paulista já soma 44 empreendimentos do tipo, que custaram R$ 215 milhões.

As novas usinas ficam em Aguaí, na região de Campinas; em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba; e São Manuel e Pederneiras, respectivamente nas regiões de Bauru e Botucatu; e custaram cerca de R$ 30 milhões. Elas foram construídas em terrenos das estações de tratamento de esgoto da própria Sabesp. A capacidade da usina de Pederneiras é de 3 megawatts (MW) de potência. Já a de São Manuel é de 2 MW; a de Aguaí, de 1,75 MW; e a de Pindamonhangaba, de 1 MW. Com isso, são capazes de suprir o consumo de 403 unidades operacionais.

A diretora-executiva de Regulação e Gestão de Energia da Sabesp, Luciane Domingues, afirma que a iniciativa faz parte de um programa maior, iniciado em 2021, relacionado às metas de sustentabilidade da companhia. Outro efeito é a redução da conta de energia elétrica da companhia, que é eletrointensiva, e poderá ser percebida pelos consumidores em 2029, data prevista para universalização dos serviços prestados pela Sabesp, e a partir da qual a eficiência operacional obtida será compartilhada com os usuários finais.

Ela explica que uma das estratégias para a escolha dos locais é justamente a disponibilidade de terreno das estações de tratamento de esgoto. “A gente aproveita o que a empresa já tem. A aquisição desses terrenos foi feita lá atrás e muitas vezes você tem que comprar todo o lote, não consegue fracionar. Então, isso reduz o investimento”, cita.

Empresa quer chegar a 85% de energia renovável até 2027
A empresa espera chegar a 2027 com 85% de sua matriz renovável. Em 2024, dado mais recente, a participação das fontes limpas foi de 75%, considerando mercado livre, com energia convencional (hidrelétrica) e incentivada, além da própria GD.

Neste contexto, a empresa começou também a implantação de usinas fotovoltaicas flutuantes – nos moldes do que fez a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) na represa Billings, em São Paulo. A primeira está sendo implantada na Estação de Tratamento de Água (ETA) Taiaçupeba, em Suzano (SP), com previsão de entrada em operação em dezembro deste ano. O investimento é de R$ 6 milhões e a capacidade instalada entre 400 e 500 quilowatts (kW).

O próximo projeto neste modelo está sendo pensado pela companhia em Botucatu, no interior paulista, com 2 MW de potência. A iniciativa, porém, ainda está nos processos iniciais para licenciamento ambiental. De todo modo, Luciane destaca que a empresa vê um “potencial enorme” neste tipo de iniciativa, considerando a experiência internacional, principalmente, em territórios com limitação de espaço.

Ainda na frente de GD, a Sabesp tem estudado a implantação de pequenas usinas cuja fonte de geração seja o biogás gerado a partir do processo de tratamento de esgoto. Em Franca, no nordeste paulista, a empresa já utiliza o insumo para alimentar sua frota de veículos que utilizam gás natural veicular (GNV). “A gente tem um propósito aqui bem claro de sustentabilidade. Então, nós queremos aproveitar o máximo potencial de todas as nossas plantas”, conclui a diretora.

Ampliação de participação no mercado livre está no radar
A empresa quer ampliar também sua participação no mercado livre de energia, no qual se escolhe o fornecedor e negociam-se termos do contrato. Em 2024, o consumo da empresa no mercado livre foi de 73% e no ambiente regulado, de 27%. Em 2025, a expectativa é migrar 33 MW médios e atingir 80% de carga total no mercado livre.

Esta ampliação passa, inclusive, por arranjos de autoprodução. Em maio, a concessionária paulista chegou a emitir um comunicado ao mercado sobre a negociação com desenvolvedoras no setor de energia renovável com este objetivo.

Neste mês, ganhou notoriedade a formação de um consórcio com este objetivo com a Engie, no Rio Grande do Norte. O negócio, no entanto, ainda não foi fechado.

 

Compartilhe: