Retorno do horário de verão tem aval do ONS e do setor elétrico
Governo federal deve tomar decisão em dez dias. Não há previsão de chuva forte no mês de setembro.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) recomendou e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou um “indicativo” de volta do horário de verão. A decisão final sobre o assunto será tomada nos próximos dez dias. “A volta do horário de verão é prudente e viável, segundo o ONS”, disse o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao fim da reunião do CMSE.
O ministro, contudo, evitou falar em datas ou prazo de duração. “O retorno do horário de verão não será imediato porque tem uma transversalidade grande na vida do País”, disse, frisando não estar totalmente “convencido”.
Silveira, porém, reforçou que o governo vem tomando todas as medidas relativas à segurança energética e à modicidade tarifária. “No pior cenário, nada nos leva a crer que teremos risco energético neste verão. Mas sabemos que temos de pensar não só em 2024, mas também em 2025 e 2026”, disse, acrescentando que o governo já está preparando leilões de capacidade. Conforme o ministro, o risco de crise energética foi afastado pela redução da vazão nas barragens de Jupiá e Porto Primavera.
O QUE SE GANHARIA. Uma maior coincidência entre o horário de luz, com geração fotovoltaica e horários de maior consumo de energia, como o fim da tarde, evitaria o acionamento de térmicas e uma geração dessas unidades estimada em 2,5 GW. Assim, a economia potencial com um eventual retorno do horário de verão seria de R$ 400 milhões.
Integrantes do ministério disseram ainda ao Estadão/Broadcast haver consenso entre os atores do sistema elétrico de que, embora o pico de consumo de energia tenha se antecipado para as 15h, a volta do horário de verão pode alongar as curvas de geração de energia solar distribuída, fazendo com que coincida com o consumo alto do fim de tarde e início da noite, o que reduziria a necessidade de acionamento de térmicas para dar conta da demanda. O governo vai conversar com diversos setores do governo, iniciativa privada e sociedade civil para entender os prazos necessários ao planejamento. Segundo ele, é preciso ter “coragem” para tomar uma decisão baseada em evidências científicas.
O encontro do CMSE teve apresentações técnicas do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Elas mostram que a seca é a pior em 74 anos, ou seja, de toda a série histórica, e setembro não terá chuvas consistentes, o que só deve acontecer após a primeira semana de outubro.
