Restrições do ONS para geração eólica podem impactar na geração de caixa em 2024, diz Voltalia
A empresa francesa de energia renovável Voltalia disse que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está “impondo uma restrição pronunciada” para a geração eólica em certas partes do país, e que a medida pode impactar a geração de caixa da companhia em 2024. Em comunicado, a empresa afirmou que a restrição teria forte impacto no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 2024, com redução estimada em 40 milhões de euros, caso estendida nos próximos meses e sem compensação financeira. Procurado pela reportagem, o ONS afirmou que não comenta o tema.
As restrições são conhecidas no setor elétrico pelos jargões em inglês “curtailment” ou “constrained off” e consistem, basicamente, na limitação da rede de transmissão, por determinado período, para escoamento da produção de eletricidade de uma usina ou de um conjunto de ativos, como forma de preservar a estabilidade do sistema elétrico.
Em agosto de 2023, um apagão que afetou quase todos os Estados do país foi causado por falha num equipamento denominado regulador de tensão, em subestação no Ceará. O Nordeste tem alta concentração de energias eólica e solar, consideradas fontes variáveis ou intermitentes, dependentes de vento ou sol, o que pode causar a entrada ou a saída de grandes volumes de energia elétrica da rede. Esse comportamento pode causar sobrecarga, com desligamentos, e os reguladores de tensão atuam quando há problemas do tipo.
A partir de então, por causa do apagão, o ONS passou a adotar uma operação mais conservadora, o “curtailment”, para evitar instabilidades na rede elétrica. No fim de 2023, as restrições foram reduzidas, mas, nos últimos meses, a Voltalia observou “a retomada de um nível acentuado de redução de produção”, demandando reuniões entre representantes da empresa e do operador do sistema.
“O volume de redução de produção da Voltalia no Nordeste da rede pode ser expandido por um período que pode durar vários meses, especialmente devido ao atraso na construção de novas linhas de transmissão para fortalecer a rede no Nordeste do país”, disse a Voltalia, em comunicado.
A empresa, bem como geradores eólicos e solares, pedem o ressarcimento financeiro das restrições porque entendem que as limitações são motivadas por uma decisão operativa, e não porque as usinas produziram energia elétrica abaixo do esperado — o que causa penalidades.
