Redes móveis privativas para utilities entram na era de multisserviços
O mercado de utilities passou recentemente pela etapa de digitalização dos medidores – agora smart meters – e se encaminha para a era das redes celulares dedicadas e multisserviços. É como vê Andrea Faustino, CTO da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. As soluções começam a ser apresentadas e, entre elas, a integração de inteligência artificial e realidade aumentada, para que as redes privativas atuem como infraestruturas de missão crítica, permitindo que as utilities realizem desde a gestão autônoma das redes elétricas até a manutenção guiada por óculos inteligentes em campo.
“A mesma rede celular pode se transformar em uma plataforma multisserviço. É possível desde conectar o medidor na casa do usuário até integrar as centrais de supervisão, subestações e linhas de transmissão, permitindo novos níveis de telemetria e observabilidade”, resume Faustino em conversa com Mobile Time durante o UTCAL Summit 2026, que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 17 e 20 de março.
Assim, a rede coleta não só os dados dos usuários na ponta, com os smart meters, como aqueles de operação da própria rede elétrica.
Faustino também prevê uma terceira onda: o uso dessa mesma rede celular pelos funcionários das camadas de operação e infraestrutura de dados da utility, ou seja, aqueles colaboradores que fazem supervisão do NOC (Network Operations Center). Neste caso, esses funcionários podem realizar consertos e manutenções com a ajuda extra de aplicações que vão trafegar pela rede móvel privativa.
“A gente fala que é conectividade mais o uso inteligente dos dados. A utility tem toneladas de dados sendo gerados pelos equipamentos e pela própria operação. A ideia é conectar esses dados de forma inteligente através de aplicações de inteligência artificial e conseguir fazer com se tenha observabilidade e conectividade da rede, mas que seja possível usar essa rede celular para ter casos de uso mais interessantes, conectando com outros componentes que não o dado que está sendo medido lá na rede elétrica”, explica a executiva.
A Ericsson apresentou no UTCAL casos de uso de como explorar os dados de uma subestação para a coleta de temperatura, pressão, e outras informações atmosféricas e como compor com os dados que vêm da rede para pensar em soluções de manutenção preventiva ou de recovery em caso de algum desastre meteorológico. “É você realmente conseguir trafegar dados dentro dessa rede celular que são dados críticos para a operação da rede elétrica em si, mas também importantes para a questão de eficiência e melhoria operacional”, resume Faustino.
A empresa apresentou alguns cases e produtos durante o evento voltado ao setor de utilities. Um dos destaques foi a solução que une IA e realidade aumentada para equipes de campo. Utilizando óculos de AR conectados a um smartphone e, consequentemente, à rede móvel privativa, um técnico pode visualizar manuais por comando de voz ou manipular modelos 3D de equipamentos complexos, recebendo suporte remoto em tempo real de especialistas no backoffice.
Nele, é possível pedir por comando de voz acesso ao manual de instruções do aparelho, ou, a partir da visualização de uma reprodução 3D do dispositivo, manipulá-lo para entender como ele é por fora e por dentro.
IA na rede das utilities
A inteligência artificial entra na rede privativa da utility para melhorar eficiência, resiliência, performance. “Já é inerente ao sistema de rede celular. Mas estamos colocando cada vez mais componentes de IA para tratar de forma eficiente cada elemento da rede, como o core, estação rádio base”, enumera Faustino.
E o outro componente é uma inteligência artificial que contribui na integração das aplicações de IA que chegam da utility. “Essas aplicações muito específicas do setor, mas que serão capazes de interagir com os elementos da rede elétrica por através da rede celular. É uma IA falando com a rede móvel. No fim, são agentes falando com agentes”, resume a executiva.
Ou seja, se uma utility possui uma aplicação de IA, correlaciona dados e precisa tomar uma ação dentro da rede elétrica, ela usa a rede celular para implementar essa ação na rede elétrica.
