Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Redes celulares privativas: indústria prefere Wi-Fi e 4G ao 5G, diz Siemens

Apesar do desejo de a indústria brasileira em avançar com as redes celulares privativas (RCPs) 5G, o consultor técnico de conectividade industrial da Siemens, Márcio dos Santos, acredita que esta tecnologia é preteridas, ante conexões cabeadas, Wi-Fi, LTE e rede celular pública das operadoras.

Santos explicou que parte desse movimento ocorre pela adoção mais lenta de aplicações cabeadas ou de Wi-Fi (mais consolidadas): “Algumas aplicações estão migrando para o 5G. Mas não de forma massiva. Os clientes industriais fazem pequenas migrações do Wi-Fi para 5G. Mas é algo que depende da cobertura (de rede móvel) público-privada, característica de uso e se o custo se paga. Os clientes têm o desejo e procuram a tecnologia (RCPs) e use cases sustentáveis”, disse em conversa com esta publicação.

O consultor da companhia que oferece equipamentos cabeados e sem fio (inclusive CPEs industriais e core 5G), detalhou que o desejo de todo industrial é ter uma rede privativa pelo uptime, segurança dos dados, qualidade e cobertura de rede. Mas a realidade é que quando fazem “o estudo e a análise do custo da aplicação privada, se não tiverem aval da liderança, começam com uma pequena prova de conceito (POC)” ou “optam pelo 4G” por ser mais em conta.

A percepção do executivo é que a maioria das empresas recorrem à conectividade direto com a operadora, quando precisam do 5G para uma aplicação: “Tenho clientes nesse modal. A grande maioria não tem dinheiro, não consegue justificar o core privado, não tem Opex, mas tem a necessidade de comunicação móvel. Eles vão para o público, pegam o SIMCard, colocam na área de cobertura onde tem sinal e tentam fazer a conexão. Eles assumem riscos, transferem para as aplicações e não veem problemas em perder a conectividade”, compartilhou.

Aplicações da Siemens em indústrias

Entre as aplicações mais comuns para o cenário na rede 5G público e que poderiam estar no privativo, Santos citou a telemanutenção, uma vez que muitas empresas usam a conectividade para não locomover seus funcionários em uma manutenção técnica. Essa tecnologia está em uso principalmente nas indústrias de manufatura e extrativistas.

Mas, o consultor reforçou que as redes cabeadas ainda são prioridade na indústria. Lembra que, globalmente, a rede com padrão Profinet tem 70 milhões de nós (cada nó é um equipamento) e que sua principal forma de conexão, o cabo RJ45, é mais barato e mais democrático, ou seja, ele pode ser aplicado independentemente do tamanho da empresa.

A Siemens tem avançado na telemanutenção por meio das redes celulares em parceria com as operadoras que entram com a conectividade de quinta geração; por sua vez, a fornecedora entra com CPEs industriais. Santos relatou que comercializam “semanalmente” CPEs para uso na indústria.

Importante dizer, o Mapa de Redes Celulares Privativas no Brasil do Mobile Time mostrou o triplo de crescimento nas implementações das RCPs entre 2023, um salto de 128 para 401, sendo que 117 delas estão no agronegócio e 72 em indústria de óleo e gás.

5G privativo pela Siemens

Mesmo com o cenário pouco favorecido em redes privativas, a Siemens tem avançado na tecnologia. Em janeiro, a companhia lançou para o Brasil e outros seis países europeus uma infraestrutura de rede 5G para operar em uma área de 5 mil metros quadrados com até 24 unidades de rádio. Produzida no exterior, mas adaptada às demandas locais, essa nova estrutura busca se diferenciar no mercado para a entrega de latência baixíssima (menos de 2 m/s), de modo que 5G privativo vire uma alternativa às redes cabeadas.

“Existe uma necessidade de controle em tempo real na industrial, abaixo de 1 m/s, até microssegundos. Tem redes que 1 microssegundo faz a diferença. Por isso, têm aplicações que precisam ser cabeadas, como em uma refinaria. Ou seja, as comunicações precisam ser rápidas”, explicou o consultor. “O nosso equipamento não tem protocolo IP para entregar essa latência, é uma comunicação em layer 2. Entenda, o 5G é baseado em IP, layer 3. Mas como faço comunicação industrial 5G em layer 2? O equipamento cria um túnel para fazer a comunicação. É uma nuance técnica, mas traz um diferencial absurdo”, descreveu.

Para demonstrar esses equipamentos, a fabricante pretende usar suas duas redes privativas, na fábrica em Jundiaí e no centro de treinamento DeX em sua sede em São Paulo, como demonstrativos: “Em Jundiaí, a ideia é fazer mais uso do 5G para mostrar o ganho operacional de uma empresa e servir como um grande showroom. O cliente industrial não é assim. Ele precisa ver funcionando, ele não gosta de ser um early adopter”, disse.

“E cada vez vamos intensificar os treinamentos, eventos e parcerias por meio do DeX, além de usar o espaço para testes e validação dos cenários das tecnologias. Inclusive com os nossos parceiros. Precisamos pulverizar isso com os nossos parceiros com treinamentos”, concluiu.

A companhia ainda aposta em sua força de integradores para avançar na oferta de serviços e implementações de redes de telecomunicações no Brasil. Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024, a companhia treinou mais de 280 profissionais em redes profissionais para tecnologias como Wi-Fi e redes cabeadas (Profibus e Profinet).

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