Domingo, 5 de Abril de 2026

Reciclagem de óleo de cozinha amplia renda de famílias e abastece produção de biodiesel em Passo Fundo

Famílias de Passo Fundo, no norte do RS, encontraram no óleo de cozinha uma forma de complementar a renda. Os recicladores vendem o litro de óleo usado por cerca de R$ 4 para a indústria de biodiesel Be8, que utiliza o óleo rejeitado como matéria-prima.

A empresa depende de grande volume mensal de óleo, demanda que levou a uma parceria com cooperativas e entidades sociais — entre elas a Cooperativa Amigos do Meio Ambiente (Coama), na Vila Popular, com nove famílias que integram o projeto.

Segundo os recicladores, a cooperativa recolhe em média 2 mil litros de óleo por mês. Depois de filtrado pelos próprios catadores, o líquido é depositado em tanques de mil litros, que são levados à indústria.

— O óleo trouxe muitos benefícios. Se dependêssemos só do material (reciclado), seria difícil. Ele amplia nosso salário — diz o reciclador da Coama, Luís Carlos dos Santos.

Demanda superior à oferta
Em 2025, o trabalho social levou 38 toneladas de óleo usado para dentro da indústria, quase o dobro de 2024. Apesar do contingente, a demanda ainda é superior à oferta, e parte do óleo usado é adquirido de outros estados para suprir a produção.

— Nossa capacidade é maior do que recebemos. Há potencial de crescimento com mais conscientização e com o desenvolvimento das cooperativas — afirma a gerente de sustentabilidade da Be8, Ana Cristina Curia.

O óleo reciclado dá origem ao biodiesel, que é usado na mistura obrigatória do diesel comum e do Be8 BeVant, biocombustível utilizado puro e que foi implementado em parte da frota de ônibus do transporte coletivo do município.

A empresa também fornece o biocombustível para os geradores do setor de serviços do GP Brasil de Fórmula 1 e, a partir deste ano, também vai abastecer os caminhões da Copa Truck.

Cuidado ambiental
No Brasil, o descarte correto ainda é pouco aplicado. Uma pesquisa da Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), aponta que apenas 10% do material utilizado é descartado de maneira correta, e metade disso reciclado.

Quando descartado incorretamente, um litro do líquido pode contaminar entre 20 e 30 mil litros de água. O óleo forma uma película sobre rios e lagos, impedindo a entrada de luz e oxigênio, levando à morte de espécies aquáticas.

A decomposição do óleo em aterros, por sua vez, libera o gás metano, contribuindo para o aquecimento global.

No solo, o óleo impermeabiliza o terreno, dificultando a infiltração da água e agravando enchentes. Já o acúmulo nas redes de esgoto causa entupimentos e aumenta os custos de manutenção urbana.

Como descartar
Após o uso, espere o óleo esfriar
Armazene em garrafas PET
Leve ao ponto de coleta da Coama.
A sede fica na Rua Capitão Aguiar, Vila Popular. Contato pelo número (54) 99131-0502.

O que não fazer
Não jogue o óleo no ralo
Não descarte no lixo comum
Não enterre no solo

 

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