Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Reciclagem de eletrônicos ainda tem espaço para crescer em telecom

Desde 2010, é vigente no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabeleceu a obrigatoriedade da logística reversa para produtos eletroeletrônicos e a participação de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dos referidos produtos. Segundo o Global E-waste Monitor 2024, o Brasil produz 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano e é o quinto maior produtor do planeta, sendo o segundo nas Américas. 

Há empresas hoje dedicadas somente à logística reversa, como é o caso da Indústria FOX, contratada pela Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE), uma entidade sem fins lucrativos que une diversos fabricantes alocados no Brasil para lidar com a questão. 

No ano de 2023, a ABREE reciclou cerca de 40 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Eles são responsáveis pela coleta, armazenamento e transporte para FOX, onde haverá o tratamento e/ou destinação final deste tipo de produto. 

A categoria chamada de “linha verde”, dedicada aos computadores desktop e laptops, acessórios de informática, tablets e telefones celulares, é a segunda mais reciclada pelas instituições, perdendo apenas para a de “linha branca” dos eletrodomésticos. 

O setor de telecomunicações ainda detém uma parcela relativamente pequena das parcerias firmadas com a ABREE; entre as operadoras com quem já trabalho conjunto estão a TIM e a Vivo. Atualmente, os resíduos advindos das operadoras de telefonia e recolhidos pela associação são aqueles entregues pelo consumidor voluntariamente em pontos de coleta. 

A Gerente de Relações Institucionais da ABREE, Helen Brito, frisa que “no site da ABREE, é possível encontrar pontos de recebimento próximos utilizando o CEP”. 

Logística reversa
Vale destacar que o Decreto nº 10.240, de 2020, estabelece normas para a implementação de sistema de logística reversa obrigatória de produtos eletroeletrônicos de uso doméstico e seus componentes e inclui uma meta percentual a ser coletada e destinada anualmente. Neste ano, a meta é de 12%. 

Segundo um levantamento da Green Eletron, o “Resíduos Eletrônicos no Brasil”, até 2023 quase nove entre 10 pessoas, cerca de 85%, costumavam guardar algum tipo de lixo eletrônico em casa. Cerca de 29% dos entrevistados, nunca haviam ouvido falar em pontos/locais de coleta de lixo eletrônico.

A pesquisa enfatizou que há “necessidade de ampliar a participação de mais organizações nessa pauta para aumentar a arrecadação do setor em geral, em todo território nacional”. 

Como destacado em reportagem de abril deste ano, tem crescido a importância de players especializados no setor de telecomunicações, que recuperam modems e decoders para reciclagem e reintegração desses aparelhos no setor de telecomunicações por meio do processo de recondicionamento.

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