Sábado, 11 de Abril de 2026

Reciclagem de água na base da economia circular

 Cerca de 6,7 milhões de toneladas de material seco foram enviados para a reciclagem no Brasil em 2023, o que corresponde a 8,3% dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) gerados. Esse último panorama da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) mostra que há muito potencial de crescimento nesta área. Políticas e investimentos públicos e também privados somados à adoção de economia circular, logística reversa e outras medidas ambientais colocam esse segmento em uma vitrine sob intensa pressão. 

 Dos 4,2 milhões de toneladas de material seco recolhidos – basicamente metais, papel, papelão, tetrapak, diferentes tipos de plásticos e vidro – pelos serviços públicos e enviados para centrais de triagem, houve recuperação de 2,2 milhões de toneladas. Já a coleta informal, feita por catadores autônomos, foi responsável por cerca de 4,5 milhões de toneladas de RSU com produtividade de 100%, já que eles coletam apenas o que tem valor de venda. 

 Com esse resultado, os catadores lutam para serem valorizados e receberem por todos os serviços que já fazem e não são pagos, como coleta e triagem, e não apenas pela entrega. E querem ainda ampliar suas participações em novas atividades que estariam a seu alcance. “Queremos uma plataforma de serviços onde já estamos prontos para atuar e que nos valorize mais”, afirma Roberto Rocha, presidente da Associação Nacional de Catadores (Ancat). 

 Rocha cobra “vontade política” para garantir que os catadores tenham acesso à massa de créditos anunciada pelo governo como, por exemplo, o recente edital do BNDES, batizado de Tudo na Circularidade, no valor de R$ 20 milhões. A Ancat também aguarda a execução do programa Cataforte, retomado pelo governo federal e que aporta R$ 103,6 milhões para fortalecer e estruturar essas cooperativas. 

 A Ambipar, empresa de gestão ambiental presente em 40 países, fechou uma parceria com a Ancat, batizada de Programa Circular, que busca a profissionalização do processo, com a instalação e atualização de equipamentos para manuseio e separação dos materiais, além da implementação de uma gestão voltada para produtividade. 

<span> Queremos uma plataforma de serviços que nos valorize mais” </span> — Roberto Rocha 

 “Queremos conectar o início da cadeia de captação com a indústria e seu destino final. Isso permite que as cooperativas obtenham preços melhores e mais justos do que os praticados com intermediários. Ao mesmo tempo a indústria poderá adquirir os itens por valores mais baixos”, observa Felipe Nassar Cury, head de pós-consumo da Ambipar. Para ele, a valorização ao longo da cadeia produtiva gera um impacto econômico significativo. 

 Rodrigo Silveira, CEO da startup Green Mining, lembra que o Brasil ainda tem um arcabouço regulatório robusto e detalhado. Mas, por outro lado, não há fiscalização adequada, tanto sobre a quantidade de embalagens que são colocadas no mercado quanto sobre a rastreabilidade da origem pós-consumo. “Enquanto os dados irregulares continuarem sendo aceitos, o ponteiro da reciclagem não vai mexer”, afirma. 

 A Green Mining desenvolveu um sistema de logística reversa que permite rastrear cada embalagem coletada do ponto de consumo até sua destinação correta, evitando o desvio para aterros ou para o mercado informal. “Ainda otimizamos rotas e reduzimos custos logísticos”, diz Silveira. 

 

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