Raízen vai vender usinas renováveis menores
A Raízen Power, divisão da voltada a serviços de energia renovável, decidiu que vai vender todas as usinas de geração distribuída (de menor porte) para focar apenas no serviço a clientes e captação de novos consumidores. A empresa não está deixando o segmento, mas pretende oferecer a possibilidade de contratar energia renovável através do portfólio de parceiros que operam as usinas.
Atualmente, a companhia opera 87 usinas de pequeno porte nas fontes solar, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e biogás, distribuídas em 14 Estados, com uma capacidade total de 177 megawatts (MW), gerando 48 gigawatts-hora (GWh) por mês.
A empresa já iniciou o plano de desinvestimento, quando anunciou em abril a venda de 31 usinas solares para a Élis Energia, empresa controlada pelo fundo do Pátria Investimentos, por R$ 700 milhões. Os recursos serão recebidos à medida que os projetos forem desenvolvidos e construídos pela
A empresa já iniciou o plano de desinvestimento, quando anunciou em abril a venda de 31 usinas solares para a Élis Energia, empresa controlada pelo fundo do Pátria Investimentos, por R$ 700 milhões. Os recursos serão recebidos à medida que os projetos forem desenvolvidos e construídos pela Raízen, e transferidos até dezembro de 2025.
Ao Valor, o CEO da empresa, Frederico Saliba, afirma que a geração distribuída é chave para aumentar sua base de clientes e ter contato com este consumidor. “A operação deve ficar com empresas cujo foco de atividade é a propriedade de ativos. O foco da Raízen é aumentar a base de clientes em todos os nossos segmentos de atuação, que inclui geração distribuída”, diz.
Conforme o excecutivo, a geração distribuída é uma forma de acesso para prestação de serviços de energia renovável. Os fornecedores dessa energia são também os parceiros que já adquiriram e continuarão comprando as usinas da Raízen.
Foco da empresa é aumentar a base de clientes em todos os segmentos” — Frederico Saliba
Hoje, o setor de geração distribuída está passando por um momento de consolidação, com alguns grupos se destacando na compra de ativos, como Pátria, Brasol e Brookfield, enquanto outros possuem ativos e arrendam suas usinas para parceiros, como na parceria entre Santander e RZK. Além disso, companhias mais focadas nos consumidores finais, como Matrix e Raízen Power, têm ganhado espaço.
Saliba afirma que ainda não há um prazo definido para a conclusão do processo de desinvestimento, que ocorrerá conforme surgirem oportunidades. Em junho de 2023, a empresa contava com 30 mil clientes conectados ao portfólio Raízen Power, que oferece uma gama de serviços integrados de energia, sem a necessidade de múltiplos fornecedores (“one-stop-shop”, na tradução para o inglês). Atualmente, esse número já ultrapassa os 110 mil clientes.
No último ano-safra (de abril de 2023 a março de 2024), a Raízen Power negociou cerca de 3 GW médios no mercado livre, dobrou sua atuação em geração distribuída para 67 plantas e realizou mais de 120 mil recargas de veículos elétricos através da rede Shell Recharge.
Em teleconferência sobre os resultados do trimestre, o presidente da Raízen, Ricardo Mussa, já dava sinais deste movimento, quanto disse que disse que a companhia “não é apaixonada por geração de energia elétrica”, mas, sim, em levar as melhores opções aos seus clientes. Mussa disse ainda que a estratégia de reciclagem do portfólio é para continuar investindo.
