Quarta-feira, 2 de Setembro de 2026

Qualcomm desenvolve 6G com IA integrada à operação da rede

A Qualcomm trabalha no desenvolvimento de uma arquitetura para o 6G na qual a IA será incorporada à operação da rede, com funções distribuídas entre dispositivos, rede de acesso por rádio (RAN) e núcleo. A fabricante também testa com a Ericsson tecnologias para utilização de frequências entre 6 GHz e 8 GHz, intervalo que aparece nos estudos para a próxima geração das comunicações móveis.

A companhia denomina essa abordagem de “AI-native”. Na arquitetura apresentada pela Qualcomm, a IA não se limita às aplicações transportadas pela rede. Os modelos também poderão participar de funções relacionadas à interface aérea, aos protocolos e ao gerenciamento de recursos.

A proposta prevê, por exemplo, que dispositivos identifiquem características e necessidades das aplicações e compartilhem informações com a infraestrutura. Esses dados poderão ser utilizados na alocação de recursos, no escalonamento e na configuração de parâmetros de comunicação.

Outro ponto destacado pela Qualcomm é o uplink. A empresa relaciona aplicações de IA, sensores e agentes autônomos à necessidade de transmitir mais informações dos dispositivos para a infraestrutura e coloca cobertura, eficiência espectral e consumo de energia entre os aspectos considerados no desenvolvimento do 6G.

Testes avançam entre 6 GHz e 8 GHz
Qualcomm e Ericsson realizam experimentos com protótipos 6G utilizando frequências entre 6 GHz e 8 GHz. Em fevereiro, as empresas anunciaram uma demonstração com portadora de 400 MHz e espaçamento entre subportadoras de 30 kHz, configuração relacionada aos estudos conduzidos no âmbito da Release 20 do 3GPP.

Os testes incluem dispositivos com quatro antenas de transmissão e quatro de recepção e tecnologias destinadas a ampliar a cobertura de uplink.

A Qualcomm também pesquisa o chamado Giga-MIMO para esse intervalo de frequências. A tecnologia utiliza conjuntos de antenas para compensar as características de propagação encontradas em frequências mais altas e permitir a utilização de canais com maior largura de banda.

Na arquitetura em desenvolvimento pela fabricante, uma camada entre 6 GHz e 8 GHz poderia utilizar sites empregados atualmente pelas redes 5G em banda média.

Brasil restringiu Wi-Fi na faixa de 6 GHz
Parte desse intervalo também está no centro de uma mudança regulatória recente no Brasil. Em agosto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu restringir a operação dos sistemas WAS/RLAN na faixa de 6 GHz ao intervalo entre 5.925 MHz e 6.425 MHz.

A decisão preservou 500 MHz para sistemas de acesso sem fio, como Wi-Fi, alterando o tratamento regulatório da parcela superior da faixa.

Os experimentos apresentados por Qualcomm e Ericsson não representam, porém, uma definição sobre a destinação desse espectro para o 6G no Brasil. Os testes fazem parte do desenvolvimento tecnológico realizado enquanto avançam os trabalhos internacionais relacionados à próxima geração das redes móveis.

Primeiros padrões são esperados para 2029 e 2030
A Qualcomm prevê a conclusão dos primeiros padrões do 6G entre 2029 e 2030. Até lá, fabricantes, operadoras e empresas de tecnologia trabalham em estudos e protótipos para avaliar componentes que poderão integrar a nova geração.

Em março, a Qualcomm anunciou uma iniciativa com fabricantes de equipamentos e dispositivos, empresas de tecnologia e operadoras para trabalhar em uma trajetória de comercialização do 6G a partir de 2029.

Entre os participantes estão Ericsson, Nokia, Samsung, Google, Microsoft, Amazon, Meta, Cisco, Dell, HPE, T-Mobile e TIM Group. A iniciativa ocorre paralelamente ao processo de desenvolvimento dos padrões, que ainda definirá as especificações técnicas da próxima geração das redes móveis. (Com assessoria de imprensa)

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