Produção da indústria eletroeletrônica de bens de consumo cresce 381,5% em 30 anos, diz Eletros
Nos últimos 30 anos, a produção de eletroeletrônicos de consumo, como geladeiras, televisores e liquidificadores, deu um salto e conseguiu equipar, com folga, as casas dos brasileiros.
Em 1994, a indústria eletroeletrônica nacional produziu 27 milhões de unidades de produtos, entre eletrodomésticos da linha branca, eletroportáteis e aparelhos de imagem e som, um número aquém do total de 39 milhões de domicílios. No ano passado, foram fabricados 130 milhões de eletroeletrônicos de consumo, uma marca muito acima de 80 milhões de casas existentes no País.
Ao todo, entre 1994 e 2024, o volume de produtos eletroeletrônicos fabricados no Brasil cresceu 381,5%, enquanto a quantidade de domicílios aumentou 105%.
Os dados são da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, a Eletros. A entidade, que completou 30 anos, realiza nesta quarta-feira, 27, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, um seminário com a presença de dirigentes de empresas, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Inmetro para fazer um balanço histórico do setor e sinalizar as perspectivas futuras.
“Hoje o Brasil é praticamente autossuficiente na produção de eletrodomésticos”, afirma o presidente executivo da entidade, José Jorge do Nascimento. Essa autossuficiência, na sua análise, é resultado da combinação de políticas industriais com redução de custos e aumentos de escala de produção.
A capacidade da indústria de inovar diante dos ciclos de consumo também, de acordo com Nascimento, foi decisiva para o salto de vendas e a maior presença dos eletroeletrônicos no dia a dia dos brasileiros.
O lançamento de televisores com tela de cristal líquido (LCD) em 2003, a popularização das TVs de LED nos anos 2010, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para linha branca em 2012, além de eventos mundiais esportivos, como a Copa do Mundo de futebol e a Olimpíada, mudaram a dinâmica do comércio e levaram os consumidores a trocar os equipamentos e a renovar os eletrodomésticos.
A substituição de videocassetes por DVDs, a automação avançada da linha branca, a introdução massiva das lavadoras automáticas, que marcam presença entre 80% e 85% dos lares e, a consolidação das Smart TVs, eletrodomésticos inteligentes, conectividade e inteligência artificial permitiram que o setor acompanhasse e antecipasse tendências globais, ressalta o executivo.
‘O Brasil poderia virar uma base exportadora’
Apesar da evolução favorável, em termos de produção e vendas, há desafios a serem superados que preocupam, na avaliação de Nascimento. O segmento eletroeletrônico responde por 3% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria, emprega 250 mil trabalhadores, mas exporta muito pouco, menos de 5% da produção.
“O Brasil poderia virar uma base exportadora”, diz o presidente da Eletros, lembrando que muitos produtos fabricados pela indústria nacional têm nível de qualidade global.
O obstáculo às exportações é o elevado “custo Brasil”, que encarece a produção e tira a competitividade. Isso envolve gargalos na infraestrutura, questões tributárias na exportação, por exemplo. “Temos um produto bom, a questão é depois que sai da linha de produção, da porta da fábrica para fora.”
O outro desafio apontado pelo setor diz respeito a maior celeridade na modernização de políticas industriais e na normatização do setor para acompanhar as tendências do mercado mundial.
Três décadas de transformação
Além da evolução dos produtos, nos últimos 30 anos o setor eletroeletrônico passou por muitas transformações na base de empresas.
Em 1994, a Eletros, fundada a partir de uma dissidência da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), para representar fabricantes de eletrônicos de consumo, não de componentes, reunia 19 empresas. Havia muitas indústrias nacionais e estrangeiras que ao longo dos anos passaram por processos de fusões e aquisições.
Atualmente com 37 associados e a perspectiva de fechar o ano com 40, praticamente o dobro de empresas da sua fundação, a entidade viu a chegada de empresas japonesas nos anos 1990. Na década seguinte, foi a vez das sul-coreanas. E a partir de 2020, começou a ofensiva das fabricantes chinesas.
Para Nascimento, a chegada das chinesas não assusta se elas vierem estabelecer bases produtivas no País. “Enquanto esse capital chinês estiver vindo para o Brasil para instalar uma fábrica aqui, ele será muito bem-vindo. O que não dá é esse capital chinês chegar ao Brasil com produtos importados.”