Domingo, 31 de Agosto de 2025

Principais equipamentos elétricos seguem sob tarifa de 50% nos EUA, alerta Abinee

Entidade cobra continuidade nas negociações para inclusão de transformadores e outros produtos na lista de exceção; setor teme perda de competitividade internacional
Apesar dos avanços nas negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, a indústria eletroeletrônica brasileira segue sob pressão com a manutenção de tarifas adicionais de 50% impostas por Washington sobre um conjunto de produtos de origem brasileira. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que alerta para o fato de que os principais equipamentos exportados pelo país ao mercado norte-americano continuam de fora da nova lista de exceções publicada recentemente pelo governo dos EUA.

Segundo a entidade, embora a lista contemple determinados itens elétricos, muitos deles possuem especificações distintas daquelas que caracterizam os transformadores e demais equipamentos comercializados por empresas brasileiras, o que na prática mantém os produtos sob o peso do chamado “tarifaço”.

“A continuidade das negociações pelo governo brasileiro é essencial para que possamos incluir esses produtos na lista”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Transformadores e componentes críticos continuam tarifados
Entre os itens mais afetados pela política tarifária estão transformadores utilizados em redes elétricas de distribuição e transmissão. Esses equipamentos possuem alto valor agregado e ocupam posição estratégica nas exportações do setor eletroeletrônico nacional. A manutenção das tarifas sobre esses bens eleva os custos de comercialização nos Estados Unidos, afetando diretamente a competitividade das empresas brasileiras.

A lista publicada pelo governo norte-americano com os produtos isentos de tarifas inclui transformadores em determinadas categorias técnicas, mas exclui os modelos amplamente exportados pelo Brasil, o que reduz a eficácia da flexibilização tarifária anunciada. Para a Abinee, é imprescindível que os esforços diplomáticos prossigam, a fim de garantir tratamento mais equitativo às exportações industriais brasileiras.

Medidas compensatórias e articulação política em pauta
Como resposta à ameaça à competitividade do setor, a Abinee encaminhou um conjunto de propostas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), liderado por Geraldo Alckmin, e também ao governo do Estado de São Paulo, principal polo industrial do setor eletroeletrônico no país.

“A Abinee encaminhou propostas para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e para o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas”, informou a associação.

As medidas sugeridas incluem desde incentivos fiscais temporários para compensar a elevação dos custos até mecanismos de apoio à inserção internacional de empresas brasileiras em novos mercados.

“O tarifaço traz risco iminente de perda de competitividade das exportações nacionais, podendo provocar paralisação de embarques e queda de encomendas”, alerta a entidade.

Setor eletroeletrônico depende dos EUA como principal destino das exportações
Os Estados Unidos continuam sendo o principal parceiro comercial do setor eletroeletrônico brasileiro. No primeiro semestre de 2025, o país respondeu por 29% de todo o volume exportado pela indústria nacional, de acordo com dados da Abinee. A imposição de tarifas de 50% sobre parte considerável desses produtos cria um desestímulo às vendas externas e ameaça postos de trabalho e investimentos no país.

Além disso, o setor teme que a manutenção do impasse reduza a previsibilidade dos contratos e leve empresas a reavaliar suas estratégias de internacionalização. A continuidade das exportações depende, segundo a Abinee, da rápida mobilização do governo brasileiro junto às autoridades americanas, a fim de ampliar a lista de exceções e garantir condições justas de concorrência.

Cenário exige diplomacia ativa e planejamento estratégico
Para analistas do setor, a situação expõe a vulnerabilidade da indústria brasileira diante de oscilações nas políticas comerciais internacionais. O caso dos equipamentos elétricos tarifados reforça a necessidade de o Brasil desenvolver uma política industrial robusta, aliada à diplomacia econômica ativa, capaz de proteger setores estratégicos e promover uma inserção qualificada nos mercados globais.

O desfecho das negociações com os EUA terá peso significativo na agenda de internacionalização da indústria eletroeletrônica e, em especial, na manutenção da trajetória de crescimento do segmento de equipamentos voltados à infraestrutura energética.

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