Quarta-feira, 29 de Abril de 2026

Prepare o bolso: preço de celulares e notebooks deve subir 30% até o fim do ano

Se você estava pensando em trocar de smartphone ou comprar um novo computador nos próximos meses, talvez seja melhor antecipar a decisão. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), dispositivos como celulares, TVs e notebooks podem sofrer reajustes de até 30%.

O vilão da vez tem nome e sobrenome: inteligência artificial (IA). Como já citado por aqui algumas vezes (1, 2 e 3), o crescimento acelerado de grandes centros de processamento de dados para IA – os chamados data centers – gerou uma demanda sem precedentes por chips de memória.

Para se ter uma noção da dimensão dessa lacuna, a Abinee considera a situação mais crítica do que o período da pandemia de Covid-19. No entanto, diferentemente da crise sanitária, quando o problema era a logística de transporte, agora os aumentos entram na conta da IA.

Como as fábricas de semicondutores não conseguem aumentar a produção na mesma velocidade da demanda devido à complexidade técnica, os preços dispararam. Grandes fornecedores também já optam por preterir o mercado consumidor em prol do atendimento exclusivo a grandes empresas, uma vez que a possibilidade de lucro é muito maior.

Para se ter uma ideia da gravidade, grandes players do setor já renegociam contratos com aumentos que podem chegar a 100% ao longo da cadeia produtiva. Na prática, isso deve ser um dos principais motivos para a disparada de preços.

Humberto Barbato, presidente da Abinee, é categórico ao afirmar que a situação é mais grave do que na época da pandemia. Segundo ele, o impacto pode ir além do consumo pessoal e afetar até mesmo o PIB brasileiro.

A forte procura também tem aumentado o preço das matérias-primas básicas. O cobre subiu 16,8% em março em comparação ao ano passado, enquanto o alumínio teve alta de 15,3%. Até o plástico entrou na conta, com uma elevação de mais de 70% causada pela alta do petróleo em função de conflitos internacionais recentes.

Para tornar o cenário ainda mais complexo, o aumento nos combustíveis encareceu o transporte das mercadorias, o que acaba sendo repassado ao consumidor final. Atualmente, 47% das empresas do setor já estão pagando mais caro por componentes e insumos, atingindo o maior nível de custo em cerca de 20 meses.

O resultado dessa combinação de fatores é um peso extra no bolso do consumidor e uma dificuldade maior para o crescimento econômico do país. Comprar tecnologia em 2026 deverá exigir um planejamento financeiro ainda mais rigoroso.

 

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