Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Prejuizo para todos

Smartphones ilegais na cidade de São Paulo. “Encontramos sinais de falsificação doméstica de celulares”, diz Towersey, da Receita. “Os envolvidos trazem peças falsificadas do exterior e montam os aparelhos aqui.”

Os malfeitos encontraram no comércio eletrônico o ambiente perfeito para crescer. “As plataformas digitais facilitaram muito o contrabando, ao trazê-lo para dentro da casa das pessoas”, diz Luiz Carneiro, diretor da Abinee. No início do ano, a entidade alertou o Conselho Nacional de Combate à Pirataria sobre o problema. Em maio, a Senacon notificou grandes varejistas on-line para excluir os anúncios ilegais. A ordem dividiu os sites. De um lado, o Carrefour.com e a Shopee assinaram termos de ajuste voluntário de conduta. A Americanas.com, embora sem assinar o termo, prometeu excluir os anúncios e aumentar a fiscalização. O Magazine Luiza passou ileso pelo puxão de orelha, pois oferecia apenas celulares homologados. A Amazon e o Mercado Livre, porém, questionaram a ordem.

Em junho, foi a vez da Anatel de pressionar os dois. Além de multa diária em caso de desobediência, a agência ameaçou retirá-los do ar. Os gigantes partiram para a guerra. O motivo era óbvio: segundo a Anatel, 52% dos celulares anunciados na Amazon eram irregulares. No Mercado Livre, a fatia era de 43%. Barrar os piratas arruinaria os negócios de ambos. A Amazon obteve uma liminar na Justiça de São Paulo, derrubada em outubro por um recurso da AdvocaciaGeral da União apresentado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Já o Mercado Livre ingressou com pedido seme

lhante na Justiça do Distrito Federal. Derrotado na primeira e na segunda instância, o site argentino passou a colaborar com as autoridades. No fim de julho, a Anatel reconheceu que o Mercado Livre havia se enquadrado.

O recuo isolou ainda mais a Amazon. Em nota enviada a VEJA, o site afirma que apoia o combate à venda de celulares ilegais, nega que comercialize esses produtos e sublinha que exige toda a documentação dos lojistas para comprovar a origem e o enquadramento dos aparelhos. Contudo, a empresa não poupa críticas. “A lei não outorgou à Anatel poder para regular a atividade dos marketplaces, muito menos o poder de impor as sanções que estabeleceu”, diz a nota. A varejista sustenta que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já determinou que a agência só deve exigir a remoção de anúncios mediante ordem judicial. “A Anatel tem feito fiscalizações metodologicamente frágeis, com amostragens irrisórias e resultados total.

 

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