Prefeitura vai bater meta de reciclagem de lixo, diz Nunes
Cumprir a meta de eletrificar a frota de ônibus quando houver estrutura. Economizar dinheiro público com a renovação do contrato de concessão do lixo. Rechaçar o negacionismo climático, mesmo que venha de aliados como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essas foram algumas das propostas para um eventual segundo mandato apresentadas nesta quarta-feira (31) pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, candidato à reeleição pelo MDB, na sabatina “Candidatos no clima da cidade”, realizada pelo IABsp (Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento São Paulo) em parceria com o Nexo.
O evento discute os impactos da mudança climática nas políticas urbanas da maior cidade do país. O próximo encontro será nesta quinta-feira (1º), às 18h, com o deputado federal Guilherme Boulos, candidato do PSOL. Na segunda-feira (29), a deputada federal Tabata Amaral, candidata do PSB, participou da sabatina.
As entrevistas, conduzidas por Raquel Schenkman, presidente do IABsp, e Conrado Corsalette, editor-chefe do Nexo, são transmitidas ao vivo no canal de YouTube do jornal (onde também ficam disponíveis após as sabatinas).
Enchentes e áreas verdes
Nunes, que está no comando de São Paulo desde maio de 2021, quando era vice-prefeito e assumiu a prefeitura após a morte de Bruno Covas (PSDB), disse ter gasto R$ 7,6 bilhões em obras de drenagem, canalização de córregos e contenção de encostas para lidar com eventos extremos do clima.
O prefeito diz que também aposta na infraestrutura verde, com jardins de chuva e outras áreas drenáveis, a fim de lidar com períodos críticos de chuva.
Nunes, porém, defendeu o uso da área demarcada como parque Jurubatuba, na marginal Pinheiros, à beira do rio, para o tráfego de automóveis. Ele justifica a medida dizendo haver um problema de traçado no local, cuja correção pode trazer benefícios num contexto maior da cidade, com a redução do tempo de percurso.
Redução das emissões públicas
A meta da atual gestão da prefeitura era eletrificar 20% da frota de transporte público, o que seria equivalente a cerca de 2.600 ônibus. No entanto, somente 200 veículos à combustível foram substituídos nos últimos quatro anos.
De acordo com Nunes, essa é uma das buscas mais importantes da cidade para reduzir a emissão de dióxido de carbono.
O prefeito afirmou que a eletrificação dessa parcela da frota de transporte público ainda não aconteceu pela demora no financiamento a fim de dar infraestrutura para gerar a energia necessária — trata-se de uma negociação com a concessionária Enel para viabilizar as estações de recarregamento das baterias dos ônibus.
Na rua com os extremos do clima
Uma das populações mais vulneráveis aos extremos climáticos é a população em situação de rua. Nunes afirmou que a atual gestão pediu a contratação de um software capaz de monitorar esse grupo populacional com mais precisão.
A proposta é que agentes que fazem a abordagem das pessoas cadastrem as informações coletadas num sistema. “É um sistema georreferenciado para a gente ter, em tempo real, onde estão as pessoas, quando chegou em São Paulo, desde quando está, qual é aquela situação, e a gente poder ter um número real”, afirmou.
Renovação do contrato do lixo
Nunes renovou em 2024 o contrato de concessão de coleta de lixo por mais 20 anos — ao custo de R$ 80 bilhões. O prefeito afirmou que a decisão pela renovação sem licitação tem o objetivo de gastar menos dinheiro público.
Por ver mais economia e vantagem, Nunes afirmou que vai exigir estas condições das concessionárias Loga e Ecourbis:
Substituição da atual frota de caminhões a diesel para caminhões elétricos ou à gás metano em até três anos
Criação de quatro ecoparques
Alcançar 100% da coleta do lixo reciclável — atualmente está em 70%, segundo Nunes.
Nunes também afirmou que a prefeitura trabalha em conjunto com 30 cooperativas de reciclagem, oferecendo o terreno ou pagando o aluguel. Segundo o prefeito, a ideia é alcançar a reciclagem de 6% dos resíduos da cidade no próximo mandato, meta estabelecida pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos para o Sudeste.
“Quando tivermos os ecoparques, nós teremos infraestrutura para fazer. Se contabilizar as cooperativas, nós vamos chegar na meta, é uma questão de compatibilizar e contabilizar”, disse.
Mudança climática e negacionismo
Questionado sobre a mudança climática, Nunes afirmou que concorda que a ação humana tem influencia direta — o que é comprovado pela ciência, mas ignorado por grupos políticos que apoiam o prefeito, como o bolsonarismo.
Ele também afirmou que sua aliança com o ex-presidente Jair Bolsonaro não deve influenciar em suas ações pelo combate aos efeitos da mudança do clima.
“O candidato a prefeito sou eu, e se eu for eleito, quem vai governar 365 dias por ano sou eu, como eu faço até hoje. Está aí a minha atuação para as pessoas poderem avaliar, sem paixão, com dados concretos e com uma equipe super comprometida com a cidade, com resultados que te dei. Gerando emprego e renda, com capacidade de investimento, com ampliação de área verde, com ações de resiliência, com ações para o Brasil e para o mundo”, disse Nunes.
