Preços de celulares, PCs e TVs podem subir 30% por crise global de memórias
Preços de celulares, notebooks, PCs e TVs devem ficar 30% mais caros com a alta global de memórias e outros insumos, de acordo com a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).
O que aconteceu
Sondagem da Abinee mostra que a pressão de custos já chegou a quase metade do setor eletroeletrônico. Levantamento divulgado em fevereiro indica que 47% das indústrias relatam aumento de gastos com componentes e matérias-primas, o terceiro avanço seguido e o maior nível em 20 meses.
Memórias viraram o principal foco de encarecimento e já estão sendo renegociadas por fornecedores desde dezembro de 2024. A Abinee afirma que os reajustes podem chegar a 100% ao longo da cadeia e que o repasse ao consumidor pode ficar em torno de 30% em itens como laptops, desktops, celulares e TVs.
Demanda por data centers de inteligência artificial é apontada como o motor da nova pressão sobre semicondutores. “A situação atual é considerada mais grave do que a vivida no auge da Covid-19. Na pandemia, o problema foi um desajuste temporário nas cadeias de fornecimento”, diz Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, em comunicado.
A associação avalia que o desequilíbrio entre oferta e procura deve continuar por alguns anos. “Essa pressão deve se manter forte até 2028”, afirma Barbato, sinalizando que a crise de insumos da indústria elétrica e eletrônica deve se manter.
Crise das memórias
Desenvolvimento de IA absorveu grande parte do mercado de memórias. Empresas de tecnologia, como OpenAI, Google e Microsoft, têm adquirido memórias para a construção de data centers, fazendo com que os principais fornecedores priorizem entregas para essas companhias, por terem margens mais altas, sacrificando a demanda para os consumidores. Além disso, há casos em que esses centros de dados contam com contratos prévios para fornecimento de memórias.
As produtoras de memória se esforçam para acompanhar a demanda, mas não é possível construir fábricas rapidamente. Samsung, SK Hynix e Micron consideram a construção de novas plantas, porém devem iniciar as operações apenas em 2027.
Como resultado, deve haver uma queda generalizada no mercado de eletrônicos. A consultoria de mercado IDC estimou que o mercado de smartphones no mundo todo deve cair 12,9%, enquanto o de PCs e notebooks deve cair 11,3% em 2026.
