Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Preço dos eletrônicos deve aumentar até 20% no Brasil, segundo previsão da Samsung

O mercado consumidor brasileiro deve se preparar para um cenário de reajustes significativos no setor de tecnologia a partir do primeiro trimestre de 2026. De acordo com projeções recentes compartilhadas por executivos da Samsung, o valor final de dispositivos como celulares e notebooks pode sofrer uma elevação de até 20% em todo o território nacional.

Este fenômeno econômico não é um movimento isolado de uma única companhia, mas sim o resultado de uma pressão sistêmica na cadeia de suprimentos global. O aumento nos custos de produção reflete a complexidade da manufatura de componentes essenciais, afetando diretamente o bolso do cidadão que pretende renovar seus eletrônicos nos próximos meses.

A crise dos chips de memória e o impacto na produção
O principal catalisador para este aumento reside em um componente técnico vital: os chips de memória. Atualmente, o cenário internacional enfrenta uma escassez severa desses semicondutores, motivada por uma mudança drástica nas prioridades das gigantes industriais do setor de tecnologia.

Migração da produção para inteligência artificial
As fabricantes estão reduzindo propositalmente a fabricação de memórias tradicionais, como a DDR4, para concentrar esforços nos chips de alta largura de banda, conhecidos como HBM. Esses componentes são fundamentais para alimentar os data centers de inteligência artificial, um setor que vive uma expansão sem precedentes e consome a maior parte da capacidade produtiva mundial.

O fim da marca Crucial e a concentração de mercado
Recentemente, a saída de cena da marca Crucial, de propriedade da americana Micron Technology, evidenciou a gravidade da situação. Sendo uma das três maiores fabricantes globais, ao lado de SK Hynix e Samsung, qualquer alteração em seu portfólio gera ondas de choque que desestabilizam o fornecimento de insumos para dispositivos móveis e computadores pessoais.

Como o custo da memória RAM dita o preço final
A memória RAM é um dos itens mais caros na lista de materiais de qualquer dispositivo moderno. Quando o valor deste insumo básico sobe no mercado de commodities, o efeito cascata sobre o preço de venda dos eletrônicos é praticamente imediato e inevitável para as fabricantes.

Previsões de aumento para o ano de 2026
Segundo Gustavo Assunção, vice-presidente da Samsung no Brasil, o custo global da memória vem subindo consistentemente. A expectativa é que esse aumento atinja patamares entre 20% e 40% nas negociações entre fornecedores e montadoras, o que inviabiliza a manutenção das tabelas de preços praticadas atualmente no Brasil.

A absorção temporária de custos pela indústria
Até o momento, muitas empresas do setor conseguiram absorver as altas recentes para não espantar o consumidor durante períodos promocionais. Entretanto, essa margem de manobra chegou ao limite, e o repasse para o varejo começará a ser sentido de forma gradual a partir de janeiro, afetando a competitividade de diversos eletrônicos.

Impacto generalizado: Dell, Lenovo e outras fabricantes
Embora a projeção tenha partido da Samsung, o diagnóstico é compartilhado por outras gigantes do hardware. Empresas como Dell e Lenovo já emitiram alertas globais sobre a necessidade de reajustar o valor de seus laptops devido à escassez de componentes.

O posicionamento da Abinee no cenário brasileiro
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, conhecida como Abinee, monitora a situação com preocupação. Representantes da entidade admitem que a falta de componentes e a alta de custos representam o maior desafio logístico e comercial para as empresas que operam no país no próximo ciclo econômico de 2026.

Consolidação do mercado e riscos para marcas menores
As marcas menores, que possuem menor poder de barganha com fornecedores de chips, devem sofrer ainda mais. Um relatório da consultoria TrendForce indica que o suprimento limitado pode levar a uma consolidação forçada, onde apenas as grandes corporações conseguirão garantir o estoque necessário para manter suas linhas de produção de eletrônicos ativas.

Modelos intermediários versus dispositivos topo de linha
Curiosamente, o impacto do aumento de preços não será distribuído de forma igualitária entre todos os produtos. A arquitetura tecnológica de cada aparelho define o quão vulnerável ele é às oscilações de mercado dos semicondutores.

A vulnerabilidade dos smartphones intermediários
Os modelos básicos e intermediários são os que mais utilizam a memória do tipo DDR4, justamente a que está com a produção reduzida. Por serem produtos com margens de lucro mais apertadas, qualquer variação no custo do chip obriga a fabricante a elevar o preço final para não operar no prejuízo com esses eletrônicos.

A estabilidade relativa da linha premium
Por outro lado, smartphones topo de linha, como a futura família S26, utilizam memórias mais avançadas do tipo DDR5. Como este segmento possui uma cadeia de suprimentos mais estável e voltada ao alto desempenho, a flutuação de preço deve ser menor, mantendo esses aparelhos em uma faixa de valor mais previsível para o consumidor de alto poder aquisitivo.

Limitações técnicas na fabricação de semicondutores
Uma dúvida comum entre os consumidores é por que as fábricas não aumentam simplesmente a produção para atender a demanda. A resposta reside na complexidade extrema da engenharia envolvida na construção de uma planta de chips.

O tempo de construção de novas plantas
A instalação de uma unidade fabril dedicada a componentes de alta tecnologia, como as memórias HBM, pode levar anos para ser concluída e custar bilhões de dólares. Não se trata de uma linha de montagem comum, mas de ambientes de altíssima precisão que exigem mão de obra ultra especializada e maquinário que poucas empresas no mundo conseguem produzir.

A decisão de negócios por trás da escassez
Atualmente, as fabricantes de semicondutores tomaram uma decisão clara de negócios: priorizar o setor de IA em detrimento dos eletrônicos de consumo. Como os chips para data centers possuem um valor agregado muito superior, a capacidade produtiva existente está sendo drenada para este novo mercado, deixando o setor de smartphones e notebooks em segundo plano.

O papel do câmbio e do mercado interno brasileiro
Além das questões técnicas e globais, o Brasil enfrenta o desafio adicional da variação cambial. Como a maioria dos componentes é precificada em dólares, a desvalorização do Real amplifica qualquer aumento que ocorra no mercado externo, tornando os eletrônicos ainda mais caros para o comprador local.

A carga tributária e o preço final
A estrutura de impostos no Brasil também atua como um multiplicador. Quando o custo de importação de um componente sobe, todos os tributos incidentes sobre a cadeia produtiva e sobre a venda final são recalculados sobre uma base maior, o que explica por que um aumento de 10% no custo de produção pode se transformar em 20% no balcão da loja.

Estratégias de consumo para o próximo ano
Especialistas sugerem que os consumidores que pretendem adquirir novos dispositivos aproveitem as ofertas remanescentes do final de 2025. Com os estoques antigos ainda precificados sob as condições anteriores, as janelas de oportunidade para comprar eletrônicos com preços “congelados” estão se fechando rapidamente diante da iminente onda de reajustes.

O futuro da tecnologia e a dependência de chips
A crise atual revela o quanto a sociedade moderna é dependente de minúsculos pedaços de silício. Sem uma oferta estável de memórias, o progresso da digitalização pode sofrer um abrandamento, com produtos demorando mais para chegar ao mercado ou sendo lançados com preços proibitivos.

A inteligência artificial como motor e obstáculo
Embora a inteligência artificial prometa revolucionar a forma como interagimos com a tecnologia, ela se tornou, ironicamente, o principal obstáculo para o acesso a hardware acessível. A competição por recursos produtivos entre robôs, servidores de nuvem e o celular do usuário comum é uma batalha que, no momento, o consumidor final está perdendo.

Alternativas e reciclagem de dispositivos
Diante dos preços elevados, o mercado de aparelhos seminovos e a busca por assistência técnica para prolongar a vida útil de dispositivos atuais devem ganhar força. A sustentabilidade financeira forçará muitos brasileiros a repensarem a necessidade de trocar de celular anualmente, focando em manter seus eletrônicos por períodos mais longos.

Consequências para a educação e o trabalho remoto
O aumento no preço dos notebooks preocupa especialmente setores voltados à educação e ao desenvolvimento profissional. Em um mundo onde o estudo e o trabalho dependem de ferramentas digitais, o encarecimento do hardware pode aprofundar o abismo digital no país.

O acesso a ferramentas de produtividade
Muitos estudantes dependem de laptops de entrada para realizar pesquisas e participar de aulas online. Com a alta de 20% prevista pela Samsung e outras marcas, o acesso a esses equipamentos básicos torna-se mais difícil para famílias de baixa renda, afetando diretamente a inclusão digital através de novos eletrônicos.

O custo do home office para as empresas
Empresas que adotam o modelo híbrido ou remoto também sentirão o impacto ao renovar o parque tecnológico de seus colaboradores. O custo operacional para equipar equipes com máquinas eficientes subirá, o que pode levar a um maior rigor na política de benefícios ou até na revisão da infraestrutura de TI em prol de soluções de nuvem que exijam hardware menos potente na ponta.

A logística global e os novos polos de produção
Há um esforço internacional para descentralizar a produção de chips, hoje muito concentrada em Taiwan e na Coreia do Sul. Entretanto, os frutos desses novos investimentos nos Estados Unidos e na Europa não devem ser colhidos a tempo de evitar a crise de preços prevista para o início de 2026.

A resiliência das cadeias de suprimento
O setor de tecnologia aprendeu duramente com a pandemia que depender de poucos fornecedores é um risco sistêmico. A atual migração para o mercado de IA é um novo teste de resiliência para as marcas, que precisam equilibrar o desejo por lucro imediato com a necessidade de manter o mercado de massa saudável e capaz de adquirir seus eletrônicos.

O consumidor como regulador de preços
No fim das contas, a disposição do consumidor em pagar mais caro ditará até onde os preços podem subir. Se houver uma retração severa nas vendas, as fabricantes e o varejo serão obrigados a buscar novas formas de subsídio ou promoções agressivas para escoar os produtos, mesmo com as margens de lucro reduzidas pela alta dos chips.

O cenário delineado para 2026 é de cautela e planejamento para o consumidor brasileiro. O aumento de até 20% no valor dos eletrônicos, impulsionado pela escassez de memórias e pelo foco global em inteligência artificial, estabelece um novo patamar de custos que dificilmente retornará aos níveis anteriores no curto prazo. A previsão da Samsung serve como um alerta crucial para que indivíduos e empresas revisem suas estratégias de aquisição tecnológica.

Em um mercado cada vez mais volátil, a informação torna-se a ferramenta mais valiosa para navegar entre as prateleiras e garantir que a inovação não custe mais do que o orçamento permite. O futuro da conectividade no Brasil dependerá da capacidade da indústria de superar esses gargalos produtivos e da resiliência do mercado interno frente aos desafios econômicos que se aproximam na era dos semicondutores.

 

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