Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Práticas sustentáveis estão valorizando a cultura em MG

No maior Estado produtor de café do Brasil, Minas Gerais, a paisagem rural está mudando. Em várias propriedades, o solo já é “coberto”, inclusive nos corredores entre os pés de café. Isso proporciona maior disponibilidade de água e de biodiversidade e, de quebra, reduz a erosão, responsável pelo desgaste e empobrecimento do solo, processo que pode impactar a produtividade. Essa forma de manejo faz parte da chamada cafeicultura verde ou sustentável, prática que também é conhecida como cafeicultura regenerativa, conservativa e agroecológica. Segundo o agrônomo Marcelo Urtado, essa é uma forma de produção ambientalmente correta, economicamente viável e socialmente justa. “Apesar de debates ideológicos sobre diferenças nos termos, na prática a técnica é a mesma”, garante.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve fechar a safra 2023/24 com 54,79 milhões de sacas de café, das quais Minas Gerais deve responder por 51%. Além de liderar em volume, o Estado oferece diversos exemplos de que é possível entregar um produto que o mercado deseja, remunerando melhor, regenerando o solo e valorizando a saúde das pessoas. “Quando há possibilidade de aliar o que o mercado quer com o que você acredita, fica mais fácil de fazer e de comunicar”, afirmou o agrônomo, que apresentou o case Cafeicultura de Baixo Carbono e Regenerativa no Estadão Summit Agro.

Marcelo Urtado é um exemplo dessa agricultura que busca alinhar a produção de alimentos e energia às demandas climáticas. Até 2016, ele e sua esposa, Paula Curiacos, zootecnista, atuavam como consultores. Naquele ano, adquiriram a Fazenda Três Meninas, localizada entre Monte Carmelo e Patrocínio (MG) – e que foi batizada em homenagem a Paula e às duas filhas. “Para colocar em prática a agricultura em que acreditamos”, conta Urtado, cuja família tem raízes no café desde seus bisavós, imigrantes italianos que trabalhavam na colheita em terras paulistas. “A herança no café é resultado da paixão. E a fazenda, do suor.”

Sustentabilidade

Segundo Urtado, a sustentabilidade da cafeicultura depende de indicadores que comprovam que a produção é feita de acordo com as melhores práticas ambientais. “Há quem use o termo regenerativo sem realmente mudar sua abordagem”, afirma. A transformação começa com o solo sempre coberto, utilizando plantas nos corredores dos cafezais, aumentando assim a biodiversidade e favorecendo os inimigos naturais das pragas, além de garantir maior disponibilidade de água no solo.

A produção da fazenda, que colhe, em média, 2 mil sacas de café por ano e que tem planos de expansão nos próximos anos, segundo o agrônomo, conta também com estações meteorológicas para gestão hídrica e sensores que simulam folhas de café, ajudando na análise preditiva de doenças. Com isso, a propriedade registra um balanço negativo de carbono na atmosfera, sequestrando mais gases do que emite.

Urtado destaca que a aplicação dessas técnicas depende das características de cada propriedade. “Não é só copiar o que outros fazem. Minha sugestão é questionar, testar e adaptar”, diz. Ele reforça que a adoção de práticas sustentáveis é urgente. “A ciência já mostra os ganhos econômicos da sustentabilidade, mas há uma urgência ambiental. Se a mudança não for por amor, terá de ser pela dor.”

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