Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Por menos gás russo e poluição, painel solar portátil vira febre na Alemanha

Em uma feira de sustentabilidade em Berlim, uma nova engenhoca chamou a atenção de Waltraud Berg: um painel solar pequeno o suficiente para ser instalado na lateral de uma varanda e, em seguida, conectado a uma tomada para alimentar diretamente sua casa com a energia produzida pelo Sol.

“Fiquei empolgada ao saber que existia algo assim, que você pode gerar sua própria energia e ser mais independente”, disse Waltraud, uma aposentada que instalou sozinha vários painéis na varanda voltada para o Sul de seu apartamento em Berlim.

Cada um dos painéis leves produz apenas eletricidade suficiente para carregar um laptop ou fazer funcionar uma pequena geladeira. Nas casas de toda a Alemanha, eles estão impulsionando uma transformação silenciosa, colocando a revolução verde nas mãos das pessoas sem que elas precisem fazer um grande investimento, encontrar um eletricista ou usar ferramentas pesadas. “Não é preciso furar ou martelar nada”, disse a aposentada.

Pelo menos 500 mil desses sistemas já foram instalados em toda a Alemanha, e as novas leis que flexibilizaram as regras sobre a instalação de painéis solares contribuíram para o boom. Nos primeiros seis meses do ano, o país adicionou 9 gigawatts de capacidade fotovoltaica, a quantidade de energia solar que um sistema produz, segundo a Agência Nacional de Redes, um órgão regulador alemão. “Em comparação com o final de 2023, quase 10% a mais de capacidade solar foi adicionada. Desse total, dois terços foram instalados em edifícios, o que inclui sistemas de varanda”, disse Klaus Müller, presidente da agência.

GÁS RUSSO. Como parte do esforço para ser menos dependente do gás natural russo, a União Europeia procura quadruplicar a quantidade de energia gerada por fontes fotovoltaicas até 2030, para 600 gigawatts. A Alemanha planeja atingir um terço dessa quantidade até o mesmo ano. Este ano, espera-se que a Alemanha adicione mais capacidade de energia solar do que qualquer outro país europeu, segundo a Rystad Energy.

Alguns dos painéis solares vendidos na Alemanha são fabricados por empresas europeias, mas a maioria é produzida na China, cujo domínio do setor global permite que ela forneça sistemas a custos cada vez mais baixos, disse Nicholas Lua, analista da Rystad Energy. “Os painéis de pequena escala têm se beneficiado das mesmas economias de escala que o sistema de fabricação de energia solar da China tem à sua disposição”, disse.

Os chamados sistemas plugin envolvem o roteamento da corrente contínua gerada pelos painéis para um inversor, que a converte em corrente alternada. Em seguida, eles podem ser conectados a uma tomada de parede convencional para fornecer energia a uma residência.

Janik Nolden, que com dois amigos fundou a Solago, uma startup alemã que vende painéis solares para telhados e as versões plug-in, disse que a maioria de seus clientes estava interessada em instalar os equipamentos por conta própria.

A maioria dos que ele vende é produzida na China, que fabrica painéis de melhor qualidade e mais baratos do que os da Europa. “Se meus clientes estivessem exigindo painéis fabricados na Europa, eu os teria em estoque”, disse ele. “Mas não é o caso.”

Na Alemanha, os painéis individuais plug-in são vendidos a partir de ¤ 200 (cerca de R$ 1.240) em grandes lojas. Conjuntos completos, incluindo suportes, um inversor e cabos, custam cerca de duas vezes esse valor. Os preços da eletricidade na Alemanha aumentaram depois que a Rússia invadiu a Ucrânia e agora estão em torno de ¤ 0,25 por quilowatthora – os valores estão entre os mais altos da Europa.

“Em comparação com o fim de 2023, quase 10% a mais de capacidade solar foi adicionada. Desse total, dois terços foram instalados em edifícios, o que inclui sistemas de varanda” Klaus Müller

Agência Nacional de Redes

“Estamos vendo mais diversidade, mais pessoas idosas e mais mulheres”, disse Christian Ofenheusle, que fundou e dirige a EmpowerSource, empresa que promove o uso de energia solar em pequena escala. Um grupo de usuários em crescimento, segundo ele, é o de jovens que se preocupam com as mudanças climáticas. “Eles dizem que querem dar a sua contribuição (ao clima)”, disse Ofenheusle. •

ESTE CONTEÚDO FOI TRADUZIDO COM O AUXÍLIO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E REVISADO POR NOSSA EQUIPE EDITORIAL.

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