Domingo, 31 de Agosto de 2025

Popularização de mini celulares preocupa autoridades por uso em crimes e entrada em presídios

O crescimento no uso de mini celulares no Brasil tem despertado preocupação entre autoridades de segurança e regulação. Com cerca de 10 centímetros de comprimento e peso inferior a 20 gramas, esses dispositivos, que lembram brinquedos, estão sendo utilizados em práticas criminosas, como fraudes em concursos públicos e o envio de equipamentos a presídios.

Facilmente encontrados em centros comerciais populares e pela internet, esses aparelhos custam entre R$ 100 e R$ 250. Apesar do apelo comercial, eles não são homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e estima-se que mais de 5 milhões de unidades irregulares estejam em circulação no país.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), os mini celulares chegam ao Brasil via Paraguai, entrando de forma irregular e sem pagamento de tributos, o que torna seu comércio altamente lucrativo. “Eles se tornam mais baratos porque não recolhem os impostos exigidos dos fabricantes regulares”, explicou Humberto Barbato, presidente da Abinee.

O uso desses dispositivos em crimes tem sido cada vez mais recorrente. Nesta semana, cinco homens foram presos em flagrante no Pará, acusados de participar de um esquema de fraude em concursos públicos. De acordo com a polícia, eles utilizavam os mini celulares para transmitir os gabaritos aos candidatos.

Nas unidades prisionais, o problema também se intensifica. Apesar da presença de scanners nas 180 penitenciárias do estado, o crime organizado tem recorrido a drones para arremessar os celulares por cima dos muros. Dentro das prisões, esses aparelhos podem atingir valores altíssimos no mercado paralelo. “São objetos de apenas 20 gramas, mas podem valer até R$ 20 mil dentro da cadeia”, afirmou Antônio Pereira Ramos, presidente do Sindipenal-SP.

A Anatel informou que tem atuado para coibir o uso dos dispositivos irregulares, mas o comércio continua crescendo diante da ausência de uma regulamentação mais rígida.

 

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