Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Passo Fundo recicla 6% do lixo produzido na cidade

Apesar de estar acima da média nacional de reciclagem, Passo Fundo ainda está longe do ideal no reaproveitamento de resíduos sólidos. Na cidade, apenas 6% desses itens são reciclados — enquanto no país o percentual é de 4%. Os números ganham evidência nesta quarta-feira (5), data em que é marcado o Dia Nacional da Reciclagem junto ao Dia Mundial do Meio Ambiente.

Das mais de 4,5 mil toneladas de resíduos produzidos por mês em Passo Fundo, cerca de 270 toneladas são reaproveitadas, conforme dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). Parte do montante é absorvido pelas cooperativas de reciclagem conveniadas à prefeitura e o restante por empresas privadas e catadores individuais.

— Hoje o município teria de atingir o mínimo de 40% a 50% dos resíduos sólidos reciclados. Nós temos aporte humano, cooperados experientes, mas falta maquinário e tecnologia. É preciso enxergar que as cooperativas não são algo somente social, mas também econômico, porque quanto mais é reciclado aqui, menos a prefeitura gasta enviando resíduos para fora — disse Vinícius Luís Balbino, assessor do Projeto Transformação, que presta atendimento às cooperativas do município.

Segundo Balbino, há um projeto na cooperativa Recibela para transformar os resíduos orgânicos em adubo, tornando o insumo comercializável a agricultores. Hoje, a estimativa é que quase 60% do total do lixo que chega ao aterro seja de materiais orgânicos. No momento, esse tipo de resíduo é destinado a um aterro em Victor Graeff.
Coleta seletiva
Implementados em Passo Fundo em 2010, os contêineres de coleta seletiva trouxeram avanço ao processo de destinação dos resíduos. Nas cores laranja e azul, as caixas separam materiais recicláveis e orgânicos, mas ainda há resistência da população em destinar o lixo de forma adequada.

— Apesar das dificuldades encontradas no processo, visto o descarte inadequado dos materiais nos contêineres, o saldo é positivo, uma vez que o montante que chega na esteira das cooperativas ainda é elevado — disse o secretário do Meio Ambiente, Enílson Gonçalves.

Ainda que positiva, a limitação dos contêineres à área central da cidade é um ponto de crítica por parte das cooperativas. Conforme Balbino, os resíduos do centro representam apenas uma parcela de todo o lixo produzido em Passo Fundo.

— O ideal seria que não houvessem contêineres só no centro, porque o centro é ínfimo perto do total dos bairros. Também é preciso que as pessoas desenvolvam essa consciência da separação. A produção de lixo na cidade chega a 160 toneladas por dia, volume que demoramos um mês para reciclar, trabalho que seria facilitado se tudo chegasse separado — afirma.

Conforme a prefeitura, desde 2017 o município de Passo Fundo tem contrato com cooperativas de reciclagem, as quais somam em média 100 trabalhadores. Anualmente são repassados às cooperativas aproximadamente R$ 897,7 mil.

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