Para Abinee, novas tarifas dos EUA são injustificáveis
Humberto Barbato, presidente da associação: “O momento é de muita preocupação, pois o mercado norte-americano é importantíssimo para o nosso setor” (Foto: Divulgação)
A confirmação, na quarta-feira (15), de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) trouxe muita preocupação para a Abinee, que representa a indústria de eletroeletrônicos. Para a entidade, a taxação aos produtos brasileiros, após a conclusão da investigação da Seção 301 da lei comercial norte-americana, são injustificáveis.
“O momento é de muita preocupação, pois o mercado norte-americano é importantíssimo para o nosso setor”, disse o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, por meio de nota.
A associação destaca que não houve a adoção, pelo Brasil, de práticas “discriminatórias ou restritivas” ao comércio com os norte-americanos. A associação citou a presença de indústrias de capital de origem norte-americana operando no Brasil e lembrou que as regulamentações e práticas comerciais brasileiras estão em conformidade com as regras de comércio internacional.
Após o início da investigação, em junho de 2025, a associação encaminhou carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em apoio à manifestação da CNI ao mesmo órgão, refutando os argumentos dos EUA.
De acordo com os números da Abinee, o fluxo de comércio no setor eletroeletrônico entre os dois países é superavitário em favor dos norte-americanos. Em 2025, os negócios com os Estados Unidos registraram saldo negativo para o Brasil de US$ 2,7 bilhões, com exportações de US$ 2,1 bilhões e importações de US$ 4,8 bilhões.
O segmento mais afetado é o elétrico, com destaque para transformadores, motores e geradores e componentes para Equipamentos Industriais, que estão entre os itens mais exportados pelo setor ao mercado norte-americano.
Recentemente, a Abinee encaminhou ofícios ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando apoio para a inclusão dos produtos do segmento de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) na lista de exceções às tarifas decorrentes da Seção 301 dos Estados Unidos.
A entidade defende que a preservação do diálogo entre os dois países, mantendo uma tradição diplomática de cerca de 200 anos.
