Órigo capta R$ 600 milhões para expandir geração solar no Brasil
A Órigo Energia, empresa que atua no segmento de geração distribuída (GD) de energia solar, captou R$ 600 milhões para financiar a construção de cerca de 150 pequenas usinas solares em 11 Estados, que juntas vão somar 180 megawatt-pico (MWp).
Foram emitidas notas comerciais classificadas como títulos verdes (“green bonds”), no mercado local. A operação tem como principal credor o Bradesco BBI.
O diretor financeiro da empresa, Eduardo Bechara, explica que a captação é uma fatia do aporte necessário, já que cerca de R$ 250 milhões serão investidos por meio de aporte dos acionistas. “A gente tem uma alavancagem que varia entre 60% a 70% de dívida e a diferença, de ‘equity’”, explica.
É mais atrativo para nós o caminho de construção de novos ativos”
— Eduardo Bechara
Os números podem variar a depender da cotação do câmbio, já que quase todos os painéis solares produzidos no mundo vêm da China, que detém mais de 80% da capacidade global de fabricação. Por outro lado, o excesso de oferta fez com que os preços caíssem nos últimos anos.
A emissão de notas comerciais foi feita pela Petrolina, subsidiária da Órigo, e conta com taxas de CDI mais 1,86% e CDI mais 1,89% ao ano, para a primeira e a segunda série, respectivamente, e prazo de sete anos para pagamento.
A Órigo possui uma capacidade instalada de 350 MWp em fazendas solares e planeja atingir 2 GWp nos próximos anos. Para alcançar essa meta, a empresa pretende continuar replicando seu modelo de negócios. Dependendo das condições de mercado, o investimento estimado para essa expansão é de R$ 7,5 bilhões.
Além do bolso de seus acionistas (I Squared Capital, Augment Infrastructure, TPG ART, Blue like an Orange Sustainable Capital, MOV Investimentos e Mitsui), a empresa está diversificando as maneiras de estruturar o financiamento de longo prazo de projetos de pequena escala.
Até pouco tempo, as empresas do setor buscavam predominantemente Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e fundos de direitos creditórios (FIDC). A emissão de debêntures incentivadas, criada pela Lei 12.431/2011, ampliou as alternativas e promoveu o mercado de capitais como fonte de recursos de longo prazo.
“Este é um setor que tem se consolidado com muitas oportunidades de aquisições, mas, para uma empresa como a nossa, bastante verticalizada e com capacidade de fazer os projetos, acaba ficando mais atrativo o caminho de construção de novos ativos”, diz Bechara.
Hoje, a Órigo tem mais de 110 mil clientes, que vão desde pessoa física até pequenos negócios. A empresa, obviamente, quer aumentar sua base e a ideia é que esse incremento de energia seja alocado para suprir as necessidades de consumidores com mesmo perfil.
Os “green bonds” são títulos de dívida emitidos para financiar projetos ambientais ou climáticos. Esses projetos podem incluir energia renovável, eficiência energética, gestão sustentável de recursos naturais, conservação da biodiversidade, entre outros.
O setor de geração distribuída ganhou força após o marco legal, que criou uma espécie de “corrida pelo sol” para garantir a gratuidade da cobrança da tarifa de uso da rede das distribuidoras, a chamada Tusd, até 2045.
