Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Operadoras devem rever modelo econômico de IoT em 2026, diz Eseye

A Eseye divulgou seu relatório “Previsões de IoT para 2026” e apontou que o próximo ano será marcado por um realinhamento estratégico na Internet das Coisas (IoT), com impacto direto sobre conectividade celular, modelos de serviços gerenciados e integração de inteligência artificial às redes.

Segundo Nick Earle, chairman executivo da Eseye, “O ano de 2026 será muito mais do que um período de ajustes incrementais, estamos diante de um momento de grande realinhamento na IoT global, no qual conectividade, serviços gerenciados e inteligência artificial convergem para reconfigurar a forma como empresas e operadoras competem e entregam valor”.

Fragmentação da conectividade, multi-RAT, 5G FWA e modelo de oferta integrada
O relatório aponta como primeira tendência a fragmentação do panorama de conectividade celular global. Mercados como Estados Unidos e Ásia-Pacífico avançam na adoção de redes de próxima geração, enquanto partes da Europa enfrentam restrições que atrasam a harmonização tecnológica. Nesse cenário, a companhia indica que projetos com arquitetura multi-RAT (Radio Access Technology) e gestão flexível de conectividade, incluindo suporte a eUICC/eSIM, tendem a ganhar relevância para garantir compatibilidade com tecnologias legadas e adaptação a futuras gerações de rede.

Além disso, também recebe destaque o crescimento do 5G Fixed Wireless Access (FWA) como alternativa de conectividade empresarial. Para Tony Byrne, CEO da Eseye, o diferencial competitivo passa a estar menos na conectividade isolada e mais na oferta integrada de cobertura, hardware e suporte técnico. A demanda corporativa deve se concentrar em soluções gerenciadas capazes de simplificar a implantação e operação de projetos IoT em escala.

Operadoras móveis e revisão de estratégia
O modelo econômico tradicional de IoT já não se alinha plenamente às plataformas e estruturas de custo legadas das operadoras móveis (MNOs), afirma Ian Marsden, cofundador e CTO da Eseye. O relatório indica que essas empresas precisarão decidir entre ampliar sua atuação em IoT por meio de parcerias especializadas ou concentrar investimentos em serviços essenciais ao consumidor. A definição dessa estratégia pode influenciar compradores corporativos que dependem de conectividade internacional.

SGP.32 e serviços IoT gerenciados
O novo padrão SGP.32 é apontado como outro fator de transformação. Embora a especificação aumente a autonomia técnica das empresas, sua implementação exige testes globais de performance e gestão de múltiplos perfis de operadoras. Essa complexidade tende a impulsionar a demanda por serviços IoT gerenciados, com centralização do controle operacional e simplificação da integração, indica o estudo.

AIoT e qualidade dos dados
Outro ponto de evolução está na chamada AIoT, com sistemas orientados por inteligência artificial capazes de transformar dados de IoT em automação e decisões preditivas. Conforme esses sistemas ganharem escala, a qualidade e a integridade dos dados coletados pelos dispositivos serão determinantes para desempenho operacional e competitividade. Com isso, 2026 como um ciclo de redefinição estrutural para o mercado global de IoT, com convergência entre conectividade, serviços gerenciados e inteligência artificial.

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