Open Cosmos de olho na convergência entre satélites, IA e comunicação
A Open Cosmos é uma empresa de satélites diferente do que normalmente se vê. Primeiro, porque ela atua na fabricação e operação de satélites de baixo custo em várias frentes: de satélites de comunicação e IoT a satélites de observação da Terra, o que não é comum.
Segundo Carlos Zamora, vice-presidente de soluções Satcom da Open Cosmos, a empresa foi fundada há dez anos com o objetivo de “entender e conectar o mundo” . A Open Cosmos atua na fabricação de satélites, desde pequenos cubesats até unidades de 500 quilos, e oferece missões completas que vão do design, fabricação, lançamento e operação
A empresa trabalha com a Agência Espacial Europeia e governos nacionais, como os da Grécia, Espanha, Reino Unido e Portugal . Há alguns anos, a Open Cosmos estabeleceu uma divisão de dados e inteligência artificial, impulsionada pela demanda por esses produtos e pela dificuldade de acesso ao espaço para muitas nações. Nesse caso, o foco é a análise das informações coletadas no espaço.
Constelação federada
A empresa trabalha hoje com o conceito de “Open Constellation”, um modelo de acesso que funciona como uma “federação” no espaço em que diferentes países ou empresas participantes compartilham infraestrutura espacial . “Este modelo permite que os membros acessem dados de seus próprios satélites e também de outros na constelação, aumentando o volume de dados e a frequência de revisita”, explica Zamorra, que conversou com TELETIME durante o Mobile World Congress, em Barcelona.
Em 2023, a Open Cosmos adquiriu a empresa argentina especializada em processamento de dados de imagem, e mantém uma equipe de cerca de cinquenta engenheiros em Buenos Aires. O foco é fornecer “inteligência que você coleta das fotos” em vez de apenas imagens brutas. A empresa utiliza seus próprios satélites para a coleta de dados . Atualmente, a Open Cosmos tem dezesseis satélites lançados, com oito na Open Constellation, e 48 satélites de observação da Terra e científicos em produção para entrega nos próximos dois anos .
Segundo Carlos Zamora, a motivação para o desenvolvimento de uma área dedicada a serviços de comunicação surgiu de um incidente de inundação na Espanha, onde a entrega de uma imagem de satélite levou quatro horas devido à falta de contato com o satélite. “O objetivo é construir uma rede de satélites que crie conectividade global para os satélites de observação da Terra, fornecendo uma espinha dorsal de resiliência global” .
Segundo Zamora, a Open Cosmos adquiriu a Simply Connected em Portugal e obteve direitos de espectro prioritários na banda Ka através de Liechtenstein. Para garantir esses direitos, que estavam prestes a expirar, a empresa projetou, fabricou e lançou dois satélites de 150 quilos em menos de quatro meses, um feito considerado “sem precedentes na indústria”, diz ele. Esses satélites foram lançados com a carga útil de satcom necessária para “ativar o espectro” mas são só o primeiro paso de um projeto bem mais amplo que a Open Cosmos está planejando.
Rede privada no espaço
O serviço de satcom planejado, denominado “Connected Cosmos”, visa estabelecer uma rede privada no espaço. Diferente dos satélites tradicionais que atuam como repetidores, os satélites da Open Cosmos funcionarão como “roteadores no espaço”, encaminhando sinais via links inter satélites a laser . Esta rede privada, desvinculada da internet, oferece “segurança, soberania” e controle sobre o fluxo de informações, diz Zamora.
A Open Cosmos opera no modelo B2B (empresas) e B2G (governos), não buscando competir com empresas como Starlink ou Kuiper em serviços residenciais, explica Zamora. O Brasil é um dos países que começa a entrar no radar da companhia pelo seu potencial em aplicações de observação da Terra e também pela demanda por dados soberanos, diz.
A empresa é privada e tem sido lucrativa por cinco anos, financiando seus investimentos com recursos próprios.
A Open Cosmos também está inserida no ecossistema europeu de satélites e participa de forma complementar, mas coordenada, de projetos como IRIS². Hoje seus satélites são lançados por SpaceX, Rocket Lab e Arianespace .
“Provamos que é possível lançar um satélite em sete meses. a nossa fabricação é própria e é uma abordagem diferente em termos de engenharia e flexibilidade dos satélites”, diz Zamora.
